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Método ROPA: o que é e como funciona a maternidade partilhada entre mulheres

Este tratamento permite que as duas mulheres do casal possam estar ligadas biologicamente com o bebé

Duas mulheres que vão ser mães pelo método ROPA/PEXELS

Ser mãe é uma das decisões mais importantes para uma mulher. Até pouco tempo atrás, um casal de mulheres tinha que decidir em qual das duas recaía o processo da reprodução assistida. Mas isso mudou com o método ROPA.

"Consiste num tratamento de maternidade partilhada, onde uma das mulheres doa os seus óvulos e a outra é a gestante", explica a médica Miren Mandiola, diretora dos Laboratórios de Reprodução Assistida e Genética do Grupo Hospitalario Quirónsalud em Gipuzkoa e Navarra. Mas, que casais podem solicitá-lo e como se realiza este tratamento?

É obrigatório que ambas mulheres estejam casadas

Para poder ser mães através do método ROPA é necessário que as duas mulheres estejam casadas. Isto deve-se à Lei 13/2005 que equipara os casais homossexuais com os heterosexuales. "Essa regulamentação nos permite transferir gametas entre os membros de um casal de mulheres casadas", aponta Mendiola.

Duas mulheres à espera de um bebé através do método ROPA / PEXELS

Este tratamento está pensado para casais que desejam que ambos os cônjuges estejam envolvidos a 100% no processo. Desta forma, as duas pessoas estarão ligadas biologicamente com o bebé.

Fases para a mãe doadora

Este tratamento está dividido em duas partes: por um lado, o processo para a mulher que doa os óvulos; e, por outro, para a gestante. O processo da doadora também se divide em duas fases. E primeiro realiza-se a indução de ovulação. "Estimula-se ao ovário para conseguir a maduração de vários óvulos ao mesmo tempo e evitando a ovulação natural. Durante os 10-12 dias de medicação realizam-se entre 3 e 5 controles para verificar a evolução e determinar o momento mais adequado para extrair os óvulos. Quando confirmamos que a maioria dos folículos ováricos têm um tamanho entre 17 e 20 milímetros, extraem-se", explica a médica.

A segunda fase é a da captação ovocitária. "Realiza-se uma punção dos folículos ováricos para isolar os óvulos. Este acto quirúrgico, ainda que de duração breve, realiza-se sob algum tipo de anestesia para que a paciente não sinta nenhum tipo de dor. Realiza-se de forma ambulatória, permanecendo 2 ou 3 horas na Unidade de Reprodução", detalha Mandiola.

A fecundação da mãe gestante

Uma vez obtidos estes óvulos, e antes de implantar na mãe gestante, devem passar pelo Laboratório de Reprodução Assistida. Ali identificar-se-ão através do microscópio os ovocitos obtidos na punção. Depois, isolar-se-ão, classificar-se-ão e serão processados para a realização da técnica a fecundação in vitro ou a inseminação artificial com o objetivo de formar os embriões que posteriormente transferir-se-ão para o útero da gestante.

Uma mulher grávida indo a uma ecografía/ PEXELS

Antes de implantar o embrião na doadora deve-se preparar o útero para aumentar as possibilidades de gravidez. "A transferência embrionária pode-se realizar tanto com ciclos naturais como com ciclos controlados. Uma vez comprovado que o endometrio é adequado, acrescentar-se-á progesterona e programa-se a transferência embrionária. Isto consiste na introdução do embrião através do pescoço do útero. A paciente manterá repouso durante 24 horas no seu domicílio e esperará a realização de uma análise que confirme a gestação", enfatiza a médica.

Qual é a melhor idade para o método ROPA?

Segundo detalha a diretora, o mais conveniente é fazer este processo em idades nas quais a reserva e qualidade ovocitária da mulher doadora seja a melhor possível.

Uma das mães com a médica a falar do método ROPA/ PEXELS

"Portanto, quanto mais jovem seja, melhor serão os resultados obtidos nas taxas de gestação. Igualmente, deveremos verificar com os estudos correspondentes as adequadas condições e possíveis riscos da mulher que levará a gestação", destaca Mendiola.

Um método cada vez mais usado

O uso deste tratamento cresceu na última década. Passou de não haver casos em Espanha a ser algo habitual. "Antes os casais de mulheres não se animavam tanto e recorriam antes às inseminações, mas agora que são mais conscientes desta possibilidade notou-se", assinala a especialista.

Uma mulher toca a sua barriga de grávida/ PEXELS

A médica Mendiola confessa, por outro lado, que este método é um pouco mais caro que outros tratamentos de fertilidade. "É mais caro porque é mais complexo se o comparamos com umas inseminações artificiais".