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A crise de Carrefour se recrudece: fechamento de lojas, despedimentos e queda do benefício

Experientes em grande consumo explicam a Consumidor Global a delicada situação que atravessa o gigante francês da distribuição alimentar. Poderá reverter a situação?

Teo Camino

Un supermercado Carrefour (3)

Carrefour não para de perder quota de mercado em Espanha: nos últimos cinco anos tem passado do 9,6 ao 7,2%, segundo o último relatório da consultora NIQ. Mas sua queda não se limita à península ibéria.

Em Itália, Carrefour vendeu seu negócio (mais de 1.000 lojas) a NewPrinces em 2025 e tem desaparecido do mapa. No França, a matriz do gigante da distribuição galo, mais de 260 lojas estariam a explorar novas alianças fosse do ecossistema Carrefour, o que ameaça com romper sua rede de fornecimento.

Que lhe passa a Carrefour?

"O problema de Carrefour é geral. Como companhia, depende muitíssimo dos hipermercados e não tem conseguido se tirar essa dependência", expõe o exdirector geral de Makro e Dinosol Supermercados, o conselheiro independente Javier Pérez de Leza.

Um hipermercado Carrefour num shopping / ÓSCAR J. BARROSO - EP

O modelo de negócio de Carrefour em Espanha "está baseado nos hipermercados, que a cada vez têm menos demanda", coincide Emili Vizuete, diretor do mestrado em Comércio e Finanças Internacionais da Universidade de Barcelona (UB). E acrescenta: "Mercadona tem criado um modelo híbrido que funciona muito melhor. E, se competes com Mercadona, que tem uma marca bem mais potente, ou te reinventas ou vais perdendo quota".

De pioneiros a obsoletos

Cabe recordar que Promotora de Hipermercados, um grupo formado por Carrefour e Simago, foi pioneiro à hora de construir os primeiros hipermercados às afueras das grandes cidades espanholas, sendo Pryca uma de suas marcas.

Um grande supermercado de Pryca em Espanha / YOUTUBE

No entanto, o que era pioneiro nos oitenta e noventa agora tem ficado obsoleto. "Por isso Carrefour, Alcampo e Eroski o estão a passar mau. Ao final, a transformação que está a fazer Carrefour em suas hipermercados é muito profissional, mas estão a tentar parar uma bola de neve", acrescenta o especialista.

O mau do hipermercado

"Quando abres um supermercado, entras alugado. Muito pouca gente compra. Deste modo, se equivocas-te de localização, fechas e vais-te. Mas se tens investido entre 20 e 25 milhões num híper, que fazes?", reflexiona Pérez de Leza sobre a atual crise de Carrefour, que tem fechado alguns hipermercados e tenta reflotar outros.

"No retail sempre se dá um momento no que o rendimento médio por loja se começa a frear. Neste ponto, Carrefour deve analisar e focalizar em suas lojas mais rentáveis, mas encontra-se limitado pela envergadura de alguns de seus estabelecimentos", aponta Vizuete.

O consumidor tem mudado

Por conseguinte, ainda que o benefício de Carrefour em Espanha caiu um 17,5% no exercício avaliado até mediados de 2025, o problema do gigante galo não é só financeiro, sina também estrutural.

Uma empregada prepara um plato na secção Pronto para comer de Mercadona / MERCADONA

Carrefour apostou durante décadas pelo hipermercado como eixo central de seu modelo, mas "o consumidor tem mudado", explica Pérez de Leza, quem acrescenta: "Agora os consumidores procuram cercania, preço dinâmico, eficiência logística e experiência digital. Pára que vais apanhar o carro e te deslocar se tens um Mercadona, Lidl ou Aldi ao lado de casa?".

Quem resgata a Carrefour?

Se quer salvar os muebles, "Carrefour tem que tentar recuperar a atraente via ofereces, promoções, localizações e uma marca branca que seja referente. Se não, marcas como Lidl ou Aldi comer-lhe-ão a tostada. Espanha é o reino da marca branca. É o país de Europa onde mais cresce", reflexiona Vizuete.

Uma loja de Carrefour / EUROPA PRESS

Será capaz de reinventarse ou estamos ante o princípio do fim do gigante da distribuição francês? "Eu não poria o dinheiro numa empresa que tem um alto componente em hipermercados. É a crónica de uma morte anunciada", sentença Pérez de Leza.