Janeiro e fevereiro foram meses de extrema turbulência para o sector ferroviário espanhol. O nome de Adamuz tem ficado gravado para sempre na memória coletiva depois do acidente de dois comboios de alta velocidade, num siniestro que não só se cobrou dezenas de vítimas, sina que forçou o fechamento prolongado de vários trajectos importantes.
À tragédia somou-se o temporal de chuva e vento que açoitou o país, reduzindo a circulação e provocando demoras sistémicas. Pese à gravidade da situação, numerosos utentes denunciam que, a estas alturas, as operadoras ainda não têm tramitado correctamente as compensações correspondentes.
Atrasos sucessivos
J. Gil Zulueta realizou três trajectos em comboios de Ouigo nos dias 6 e 7 de fevereiro: viajou desde Madri a Barcelona para regressar depois à capital. "No primeiro trajecto o atraso foi a mais de duas horas e no segundo trajecto de uma hora", conta a este meio. Tal e como relata, a companhia francesa manteve sua política de devoluções e compensações por atrasos, se diferenciando de Renfe e Iryo, que foram realizando ajustes em função da velocidade estabelecida para desgraça dos consumidores.
"Ainda assim, ainda que Ouigo mantenha essa política de devoluções, conseguir a compensação é tedioso, porque sua plataforma não funciona: apesar de que te ponha que dispões de vales de compra (que é o mesmo que a devolução por atrasos), não te dá a possibilidade do solicitar", critica. Depois de realizar muitos telefonemas (e permanecer em espera mais de 15 minutos, acrescenta) e enviar correios eletrónicos, Gil conseguiu obter o reembolso de dois bilhetes, mas ainda tem pendente o terceiro.
Dificuldade para tramitar as devoluções
A julgamento deste consumidor, o facto de que a plataforma não permita tramitar de forma singela as devoluções provoca "que muita gente ao final se esqueça ou desista de reclamar".
Em redes sociais podem-se encontrar depoimentos de viajantes com pontos de vista similares. "Levo desde o dia 3 de fevereiro para resolver uma incidência com um reembolso pendente. Tenho chamado a atenção ao cliente, escrevi-vos por mensagem direta (tal e como indicais por aqui) e não obtenho resposta alguma", publicou em X (dantes Twitter) uma internauta no dia 23 de dito mês.
"O reembolso é vosso direito"
"A todos aqueles aos que Ouigo vos esteja a negar o reembolso dos bilhetes que têm cancelado: peçam um chargeback ao banco. Não vos rendais. O reembolso é vosso direito", recomendava outro em meados de fevereiro.
Também há consumidores que denunciam que contactar com a companhia não é tão fácil como deveria ser. "Tendes um sistema de atenção ao cliente que é de broma, se supõe que tenho que estar a chamar a cada dois minutos a ver se um agente está disponível?", protestou um utente.