O projecto de Renfe para criar uma empresa de transporte por estrada tem gerado uma rejeição unânime no sector do autocarro. Grandes, médias e pequenas companhias coincidem em opor a uma iniciativa que procura cobrir serviços alternativos quando o comboio não pode operar, já seja por obras ou por emergências provocadas pelos temporais.
O departamento de Viajantes do Comité Nacional do Transporte por Estrada (CNTC), que reúne às principais patronales do sector, tem emitido um comunicado para manifestar sua rejeição a esta iniciativa de Renfe, que qualifica de "desnecessária e contraproducente", e em defesa da empresa privada.
Interesse empresarial pese à rejeição do sector
Não obstante, até 10 empresas (a maior parte delas com uma frota a mais de 300 autocarros) já têm transladado a Renfe seu interesse por participar no processo e em receber os editais do futuro contrato que a empresa pública licitará. Ademais, a nova empresa não terá maioria de capital público, já que será a companhia privada que se adjudique este contrato a que controlará o 51% de sua capital.
Em qualquer caso, o conjunto das patronales insta a Renfe a reconsiderar esta decisão e a explorar alternativas que permitam cobrir suas necessidades operativas sem distorcer o equilíbrio do sector.
Defesa do livre mercado
Desde Confebús, a principal patronal de autocarros e que representa a gigantes como Alsa, incidem em sua defesa da economia de livre mercado e da empresa privada "como núcleo básico de criação de riqueza e de prestação de serviços à sociedade".
"No mercado espanhol há suficientes empresas privadas para fazê-lo nas melhores condições. Ademais, esta iniciativa deixa fora a muitas das empresas do sector, composto em sua maioria por PMEs", acrescentam.
O argumento de Renfe: custos e eficiência
No entanto, Renfe leva umas semanas alegando que se encontra com muitas dificuldades a cada vez que tem que procurar autocarros para cobrir rotas que não pode fazer em comboio, sobretudo em momentos de emergência, o que eleva a despesa, ao mesmo tempo que prejudica aos utentes.
Precisamente, Renfe espera poupar quase 200 milhões de euros ao longo dos 15 anos que poderia durar sua aliança com uma empresa privada de autocarros, uma poupança que o sector do autocarro poderia temer que se faça contra suas margens de benefício.