A Comissão Européia tem comunicado nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, à empresa estadounidense Meta que adoptará medidas se não permite a entrada de competidores no serviço de inteligência artificial (IA) integrado em seu aplicativo de transportadora WhatsApp.
Bruxelas considera que a decisão da tecnológica, adoptada no passado mês de outubro, de permitir unicamente o uso de sua própria ferramenta, Meta AI, em WhatsApp gera uma "necessidade urgente" de intervir, "devido ao risco de danos graves e irreparables para a concorrência".
"Preservar o acesso dos competidores a WhatsApp"
"A inteligência artificial está a contribuir inovações incríveis aos consumidores, e uma delas é o mercado emergente de assistentes de IA. (...) Por isso, estamos a considerar impor rapidamente medidas provisórias a Meta para preservar o acesso dos competidores a WhatsApp", tem assinalado a vice-presidenta do Executivo comunitário e responsável pela política de Concorrência, Teresa Ribera, num comunicado.
Meta dispõe agora de um prazo para responder às alegações da Comissão Européia e propor alternativas a seu modelo de negócio. Em caso que Bruxelas siga considerando insuficientes suas explicações, o Executivo comunitário poderá adoptar medidas provisórias contra a companhia, cujo contido ainda não tem sido detalhado.
Investigação antimonopolio em marcha
O anúncio desta segunda-feira se enmarca na investigação antimonopolio que a Comissão Européia abriu no passado mês de dezembro contra Meta, matriz de Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger, e que também opera nos mercados de publicidade digital e produtos de realidade aumentada.
Segundo Bruxelas,"é provável que Meta domine o mercado de aplicativos de comunicação no Espaço Económico Europeu (EEE), especialmente através de WhatsApp", e que "abuse desta posição dominante ao denegar o acesso a WhatsApp a outras empresas, incluídos os assistentes de IA de terceiros.
Uma decisão com impacto em toda a UE
A possível adopção de medidas provisórias afectaria ao negócio de Meta em todos os países da União Européia e do EEE (Noruega, Islândia e Liechtenstein), com a excepção de Itália.
O país governado por Giorgia Meloni obrigou à companhia no final do ano passado a permitir a entrada de competidores no serviço de inteligência artificial de WhatsApp.