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A megaloja Orange de electrodomésticos vende dois microondas danificados e retém o seu reembolso

A operadora de telecomunicações acumula mais de um mês sem devolver o dinheiro a um cliente, num episódio que evidência as falhas de sua aposta por se converter num novo Amazon

Ana Carrasco González

A nova megaloja da Orange de electrodomésticos / ORANGE

Em setembro de 2025, MasOrange anunciava o lançamento de uma megaloja de tecnologia online. O seu objectivo era competir com gigantes como Amazon e as grandes superfícies tradicionais, oferecendo mais de 1.000 electrodomésticos, com financiamento sem juros a 48 meses e seguros personalizados mediante inteligência artificial. A companhia apontava alto, projectando vender até cinco milhões de unidades ao ano.

No entanto, nos bastidores, a operadora de telecomunicações falha na gestão de encomendas e no processamento de reembolsos, ignorando o facto de que por detrás de cada número de encomenda está uma pessoa.

Compra sem financiamento na megaloja de Orange

No início de fevereiro de 2026, Josué Olmo, cliente da Orange, decide aproveitar a loja de electrodomésticos online da companhia. "Através da aplicação dá-te opções de renovar o telefone, mas também de comprar electrodomésticos", relata à Consumidor Global. Se for o caso, procura um microondas para o escritório e, depois de comparar opções, escolheu um modelo de LG, com um preço de 171,36 euros.

Inicialmente, Josué opta pelo financiamento gratuito de até 48 meses que tanto promove a marca, mas finalmente decide liquidar a dívida. "Pára que vou estar a pagar 10 euros por mês por um microondas de 170 euros? Prefiro fazer o pagamento completo", aponta.

Microondas da marca LG que a Orange vende na sua megaloja / CAPTURA

Um microondas amassado

Quando chega o microondas ao escritório onde trabalha Josué, a caixa apresenta danos e a estrutura do microondas estava, nas palavras do afectado, "completamente amassado na lateral". Nesse mesmo dia, notifica a empresa e procede à devolução.

Não obstante, Orange –que nesse momento sim respondeu rápido– comunica-lhe que não há stock para substituir o microondas danificado. Oferecem-lhe mudar por outro produto ou exercer o seu direito de desistência. Josué escolhe a segunda opção, esperando recuperar os seus 171,36 euros e dar por encerrado o capítulo. Mas, claro, não foi assim.

Um segundo microondas danificado

Apesar de ter cancelado a compra, dias depois aparece no armazém do seu escritório uma nova caixa enviada pela operadora. É outro microondas, e vinha com a embalagem igualmente danificada. "Pergunto no armazém, resulta que há uma caixa ali que não sabem de quem é porque vem sem documentação nem nada. Voltei a enviar-lhes uma foto e um vídeo da caixa danificada e disse-lhes: já nem a abro, não a quero, já fiz a desistência", explica o afectado.

Desde esse momento, no início de fevereiro, o dinheiro de Josué continua sem aparecer na sua conta. "Enviaram-me um e-mail a dizer que sim, que eu tinha razão, que tinham aberto um sinistro, confirmando que recolheram os dois micro-ondas e estavam à espera do pagamento", explica Josué. Mas o reconhecimento da dívida não resultou no depósito do dinheiro.

Orange tem um apoio ao cliente insuficiente

"Passei horas à espera no chat de atendimento ao cliente, onde me dizem que regressam no máximo em 10 minutos. Até que insisto: 'Olá, desculpem, vão responder-me?' E eles dizem: 'Estou a trabalhar no seu caso neste momento'. É revoltante", comentou o afetado.

"Disseram-me que iam investigar internamente, e desde então não ouvi mais nada. É um pesadelo ter de perder tempo", lamenta.

O contraste: ambição corporativa vs. direitos do consumidor

Hoje, o escritório de Josué já tem um microondas. "No final disse, quero um microondas para que as pessoas aqueçam o café ou um copo de leite no escritório. De modo que, ante a falta de solução da Orange durante mais de um mês, fui à MediaMarkt e comprei um", diz.

Josué não desiste da luta e continua a exigir que a Orange e a sua megastore lhe devolvam o dinheiro. "Não é uma quantia muito grande, mas são 170 euros que me pertencem e não deviam estar com eles", conclui.

A Consumidor Global pôs-se em contacto com a Orange para obter a sua versão sobre os factos, não obstante, até ao encerramento desta reportagem não se obteve nenhuma resposta por parte da companhia.

*Actualização: uma semana após que este meio contactasse com a empresa, Orange informa que ofereceu o reembolso a Josué Olmo sem fazer declarações a respeito.