A saúde digestiva converteu-se num dos principais desafios sanitários em Espanha. O ritmo de vida atual, marcado pelo estrés, o sedentarismo e o consumo habitual de produtos ultraprocesados, está por trás de um incremento significativo de transtornos gastrointestinales. Os especialistas estimam que cerca do 50% da população espanhola padece algum tipo de patologia digestiva, desde moléstias leves até doenças crónicas que requerem rastreamento médico.
O doutor Andrés Sánchez Yagüe, especialista em Aparelho Digestivo do Hospital Quirónsalud Marbella, assinala que os novos hábitos de vida influem de forma direta neste aumento. "O estrés continuado e uma dieta rica em alimentos industriais associam-se a problemas como obesidad, diabetes tipo 2, reflujo gastroesofágico, digestiones pesadas, dispepsia ou estreñimiento", explica. Também se observa um crescimento de doenças inflamatorias intestinales e alterações funcionais que impactam na qualidade de vida.
Microbiota intestinal: chave na prevenção e cuidados
No centro da saúde digestiva encontra-se a microbiota intestinal, um ecossistema formado por biliões de microorganismos que habitam no aparelho digestivo. Seu peso pode atingir até quilo e meio do total corporal e desempenha funções essenciais: ajuda a decompor os alimentos, facilita a absorção de nutrientes e protege em frente a patogénicos.
Quando este equilíbrio se altera —processo conhecido como disbiosis— podem aparecer sintomas digestivos e transtornos metabólicos. A alimentação é um dos factores que mais influi neste equilíbrio. Dietas ricas em gorduras saturadas e açúcares simples favorecem a proliferación de bactérias associadas ao sobrepeso e a alterações metabólicas. Em mudança, um padrão alimentar baseado na dieta mediterránea, com abundância de verduras, frutas, legumes e cereais integrais, contribui fibra e compostos prebióticos que estimulam o crescimento de bactérias beneficiosas.
Diversos estudos relacionam o desequilíbrio da microbiota com patologias como diabetes tipo 2, doenças inflamatorias intestinales, transtornos inmunológicos e inclusive alguns tipos de cancro. Por isso, cuidar a alimentação não só melhora a digestión, sina que actua como estratégia preventiva global.
A previdência em Espanha : o mapa das intolerâncias alimentares em aumento
As intolerâncias ao gluten e à lactosa figuram entre as consultas mais frequentes em digestivo. Os especialistas fazem questão da importância de um diagnóstico adequado dantes de eliminar alimentos da dieta. O gluten, presente a trigo, cevada e centeno, pode desencadear sintomas como diarrea, dor abdominal ou náuseas em pessoas com doença celíaca ou sensibilidade ao gluten. Nestes casos, a única medida eficaz é a eliminação estrita do gluten, evitando também a contaminação cruzada.
A lactosa, por sua vez, é um açúcar natural do leite que precisa a enzima lactasa para sua correta digestión. Quando o organismo produz quantidades insuficientes desta enzima, aparecem moléstias como hinchazón, gases ou diarrea depois de consumir lacticínios. As opções incluem produtos sem lactosa, alimentos fermentados como o yogur ou suplementos de lactasa. Os experientes recordam que as restrições dietéticas devem se realizar baixo supervisão profissional para evitar carências nutricionais.
Hábitos saudáveis como primeira linha de defesa
A prevenção continua sendo a ferramenta mais eficaz para reduzir o risco de patologias digestivas. Priorizar alimentos frescos em frente a ultraprocesados, moderar o consumo de álcool, realizar actividade física regular e manter um peso saudável são medidas fundamentais.
Ademais, a conexão entre o sistema nervoso e o aparelho digestivo —conhecida como eixo intestino-cérebro— explica por que o estrés pode agravar sintomas gastrointestinales. Dormir adequadamente e aplicar técnicas de manejo emocional contribui a melhorar a função digestiva.
Formação especializada ante uma maior demanda asistencial
O aumento de patologias digestivas e a crescente complexidade de sua abordagem têm levado a reforçar a formação dos profissionais sanitários. Neste contexto, a Sociedade Espanhola de Patologia Digestiva (SEPD) tem posto em marcha um Mestrado de Formação Permanente em Enfermaria Especializada em Aparelho Digestivo, que desenvolver-se-á entre outubro de 2025 e maio de 2026.
O programa tem como objectivo dotar ao pessoal de enfermaria de concorrências avançadas em áreas como hepatología, endoscopia, transplante hepático, oncología digestiva e Doença Inflamatoria Intestinal. A SEPD considera que a enfermaria especializada desempenha um papel essencial dentro das equipas multidiciplinares, tanto na atenção clínica como na educação sanitária e o rastreamento de pacientes crónicos.
O papel das redes sociais na visualização
As plataformas digitais têm impulsionado a visibilidade do SIBO, com numerosos depoimentos que animam a outras pessoas a consultar por sintomas digestivos. Não obstante, os médicos alertam de que recorrer ao autodiagnóstico em base ao visto por redes sociais pode aumentar a preocupação e gerar expectativas pouco ajustadas sobre provas e tratamentos. E é que auqnue ah aumentado o numero de casos, tambiñen o ah feito o de pessoas que crêem estar doentes de alguma patologia sem o estar, o que tem elevado a demanda asistencial.
Explica que os sintomas são pouco específicos e podem confundir com outros transtornos. Algumas provas, como o aspirado duodenal por endoscopia, são invasivas, pelo que o teste do alento se utiliza com frequência por ser menos agressivo. Em casos confirmados, antibióticos e probióticos podem aliviar os sintomas, ainda que não se aconselha medicar se a clínica não é clara.
Precisam-se mais profissionais especializados numas patologias que só vão em aumento?
Além da vertente asistencial, o mestrado incorpora formação em investigação e saúde digital, incluindo contidos de tv-enfermaria e novas tecnologias aplicadas ao rastreamento clínico. Esta actualização responde a um sistema sanitário marcado pelo envejecimiento populacional, o aumento de doenças crónicas e a necessidade de melhorar a continuidade asistencial.
Com esta iniciativa, a SEPD reforça um modelo de atenção centrado no paciente e baseado na colaboração entre profissionais. Num palco onde as patologias digestivas afectam a uma parte significativa da população, a prevenção, a educação nutricional e a especialização sanitária se consolidam como pilares fundamentais para melhorar a saúde digestiva em Espanha.