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Nescafé resgata as contas da Nestlé na maior crise da sua história

A forte procura de café compensa o impacto da recolha do leite em pó e apoia o plano de recuperação do novo CEO.

Ana Carrasco González

Pablo Isla, presidente da Nestlé, durante a Assembleia Geral Anual da empresa / JEAN CHRISTOPHE BOTT - EFE

Num trimestre que se antecipava complicado pelas sequelas da maior retirada de produtos nos 160 anos de história da empresa, a Nestlé foi resgatada pela Nescafé. Apesar de que a companhia viu-se obrigada a subir os preços do café em 2025 devido ao encarecimiento histórico dos grãos, os consumidores não voltaram as costas à marca.

"O café foi a estrela", declarou Philipp Navratil, diretor executivo da Nestlé, destacando o excelente comportamento da Nescafé (especialmente na sua gama de cafés frios prontos a beber) e a linha de cápsulas premium Dolce Gosto.

Retirada das marcas de leite de fórmula

Desta forma, a Nestlé conseguiu ultrapassar parcialmente a maior crise da sua história. A companhia registou um crescimento orgânico das vendas de 3,5% no primeiro trimestre, superando o 2,68% previsto pelos analistas, segundo comunicou a empresa.

O bom comportamento do negócio do café foi chave para compensar o golpe sofrido pela retirada de marcas de leite de fórmula infantil em mais de 60 países ante a possível presença da bactéria Bacillus cereus. Este episódio representou um custo de 200 milhões de francos suíços (cerca de 218 milhões de euros) nos primeiros meses do ano, devido principalmente a reembolsos e queda da procura.

Lotes da marca Nidina de Nestlé depois da intoxicação em massa de bebés / ANA CARRASCO

A estratégia do novo CEO da Nestlé

"Encanta-nos esta categoria", confessou Navratil aos analistas. "Os consumidores têm o hábito de beber café, e somos capazes de satisfazer consumidores de todas as idades, de todos os estratos económicos e de todo mundo", acrescentou.

Estes resultados traduziram-se num crescimento interno real (a indicador chave de volume para a empresa) de 1,2%, acompanhado de um aumento de preços de 2,3%. Philipp Navratil, que assumiu o cargo de CEO há apenas sete meses depois da abrupta saída do seu predecessor, está a implementar uma agressiva estratégia de estabilização e rentabilidade. O seu plano é claro: cortar custos, desinvestir em negócios com baixo desempenho e focar-se em marcas estratégicas.

Eliminação de 16.000 postos de trabalho

Neste sentido, a Nestlé confirmou a venda da sua cadeia de café Blue Bottle Coffee a Centurium Capital Partners. Ademais, mantém conversas para encontrar sócios na sua divisão de água e bebidas, e possíveis compradores para o seu negócio de vitaminas.

A companhia também avança num plano de ajuste que contempla a eliminação de 16.000 postos de trabalho.