O número de casos de transtornos depresivos e de ansiedade entre a população de 10 a 24 anos disparou-se nos últimos anos. Assim o reflete um estudo do Grupo de Investigação em Determinantes Sociais da Saúde e Mudança Demográfica (OPIK) da Universidade do País Basco (UPV/EHU) que inclui conclusões demoledoras.
Por exemplo, recolhe que a população adolescente "a cada vez consome mais ansiolíticos, hipnóticos e sedantes, já seja com receita ou sem ela", e ademais "as taxas de consumo são superiores no caso das garotas".
Preocupação pela saúde mental
O estudo mostra também que o consumo de psicofármacos em jovens é, não obstante, "mais equilibrado" nos países mais ricos. A investigação desenvolveu-se num contexto no que, têm recordado desde a EHU, a preocupação pela saúde mental dos adolescentes está a aumentar entre as entidades públicas e a comunidade científica de Europa.
Uma das linhas de investigação levadas a cabo por OPIK centra-se, precisamente, em determinar a relação entre os factores sociais e a saúde da população. Mediante a encuesta ESPAD (Projecto Europeu de Encuestas Escoares sobre Álcool e outras Drogas) de 2019, a equipa tem analisado os dados de quase 97.000 adolescentes dentre 15 e 16 anos em 32 países europeus.
Amplas diferenças por países
Em palavras do pesquisador de OPIK Xabi Martínez Mendia, "temos podido observar uma grande diferença no consumo entre os diferentes países de Europa". Assim, tem explicado que, sem ter em conta o género, "por exemplo, o consumo de psicofármacos em adolescentes de Grécia e Eslovénia foi de 6%, enquanto em Itália foi de 10% e em Letónia de 28%".
O estudo também reflete que "o consumo é maior no caso das garotas que no dos garotos em quase todos os países de Europa". No caso de Espanha, o consumo geral é de 14,1%, conquanto a taxa entre as garotas é de 14,6% e entre os garotos de 13,6%.
Que influi no consumo
O consumo de psicofármacos é menor em países com maior desigualdade social e económica. Isto é, os países com uma maior riqueza e igualdade apresentam taxas de consumo mais altas mas o consumo por géneros está "mais igualado".
Surpreende o dado de Noruega, um dos países europeus com maior PIB e com os melhores indicadores de igualdade de género que conta também com uma alta percentagem de consumo de psicofármacos (o 14% os tomou em alguma ocasião). "Os factores culturais, os factores socioeconómicos, o sistema sanitário... Entram em jogo muitos aspectos que resultam difusos. Por exemplo, qual é a tendência da população de um país à hora de abordar os problemas de saúde mental? Vai ao sistema sanitário? Qual é a tendência do pessoal médico à hora de recetar psicofármacos? Prescrevem-se mais às garotas?", tem proposto Martínez.