O Conselho de Ministros tem aprovado um segundo real decreto lei com um pacote de medidas de 1.825 milhões de euros para mitigar o impacto económico do conflito em Oriente Médio.
A grande novidade desta norma recae na eliminação da rebaja do IVA aos combustíveis, o que significa que o diésel e a gasolina voltarão a tributar ao 21% a partir de 1 de julho. No entanto, para evitar um hachazo direto aos lares, o Governo tem desenhado um plano de choque alternativo centrado no imposto de hidrocarburos.
Assim fica o desconto na gasolina e o diésel
Ainda que desaparece a rebaja da IVA aplicada até agora, o Executivo manterá uma redução do imposto especial sobre hidrocarburos durante os próximos meses.
O desconto será progressivo:
- 15 céntimos por litro durante julho.
- 10 céntimos por litro em agosto.
- 5 céntimos por litro em setembro.
A partir de outubro, salvo mudanças no mercado energético, o imposto voltará a seu nível habitual. O ministro de Economia, Carlos Corpo, tem explicado que o objectivo é retirar de forma gradual as ajudas fiscais à medida que os preços internacionais da energia se estabilizem.
"Conforme vão-se reduzindo os preços dos mercados internacionais retiraremos de forma progressiva o apoio à redução de impostos aos combustíveis para os lares", tem assinalado Corpo depois do Conselho de Ministros.
O desconto poderia voltar a aumentar se sobem os preços
O decreto incorpora uma cláusula de salvaguarda para responder a possíveis novas tensões energéticas. Se a inflação dos combustíveis supera o 15% interanual, o desconto no imposto sobre hidrocarburos aumentará automaticamente até 20 céntimos por litro.
Ademais, se o preço do gás ou da electricidade também regista incrementos superiores ao 15%, o Governo volvería a rebajar o IVA destes fornecimentos de 21% ao 10% e reduziria o imposto especial sobre a electricidade de 5,1% ao 0,5%.
Ajudas para agricultores e transportadores
O novo pacote mantém as ajudas específicas para os sectores mais afectados pelo incremento dos custos energéticos. Entre elas destacam a ajuda direta de 20 céntimos por litro de gasóleo para agricultores e transportadores; 165 milhões de euros adicionais para compra-a de fertilizantes; e a prorrogação até o 30 de setembro das ajudas extraordinárias ao transporte profissional por estrada.
Em conjunto, estas medidas suporão um apoio de 230 milhões de euros para o sector agrário.
Mais controle sobre os preços das gasolineras
O Governo também endurece a vigilância sobre o mercado dos combustíveis.
A Comissão Nacional dos Mercados e a Concorrência (CNMC) contará com novas concorrências para detectar possíveis comportamentos anómalos nas estações de serviço e poderá publicar os nomes daquelas gasolineras que apresentem práticas suspeitas. Na última análise detectaram-se ao redor de média centena de casos.
Medidas energéticas até setembro
As medidas temporárias do decreto estarão em vigor até o 30 de setembro, enquanto outras reformas terão carácter estrutural.
Entre elas figura a eliminação progressiva do imposto sobre a produção elétrica, que baixará a o:
- 5 % em 2026.
- 3,5 % em 2027.
- 0 % em 2028.
Esta medida terá um custo estimado para as arcas públicas de 2.700 milhões de euros. Assim mesmo, o Governo impulsionará actuações para reforçar a independência energética de Espanha e acelerar a modernização das infra-estruturas elétricas.
Protecção social
O novo decreto também prorroga várias medidas de protecção social. As empresas que recebam ajudas vinculadas ao conflito seguirão sem poder realizar despedimentos associados a estas subvenções e deverão manter planos de mobilidade sustentável para seus trabalhadores.
Ademais, continuam vigentes durante todo 2026 os descontos extraordinários do bono social elétrico: 42,5 % para consumidores vulneráveis e 57,5 % para consumidores vulneráveis severos. Também seguirá proibido o corte de fornecimentos básicos aos lares vulneráveis.