Faz um ano, Consumidor Global publicou um artigo titulado A ruleta russa de comprar entradas em Viagogo: "Fraude total". A entidade actua como intermediária, mas parece dar prioridade às ofertas mais cuantiosas, o que deixa a alguns compradores na estacada no último momento.
Agora, Facua-Consumidores em Acção tem denunciado à plataforma de venda de entradas ante o Ministério de Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030 por impor taxas abusivas tanto aos compradores como aos vendedores, que recorrem a ela para a compra e intercâmbio de entradas para eventos.
As tarifas de serviço podem variar
A associação tem constatado que no site de Viagogo, dentro das apartado Taxas e outros cargos, a companhia assinala que "podemos cobrar taxas pela venda e/ou compra de entradas através de nosso sitio site e/ou pelo uso de nossos serviços, bem como taxas de entrega ou cumprimento (denominadas colectivamente «Taxas de serviço»). As tarifas de serviço podem variar em função do tipo de evento, o tipo primeiramente e a localização".
Assim mesmo, a companhia se arroga o direito a mudar suas Tarifas de Serviço "em qualquer momento, inclusive após que tenhas posto em lista tuas entradas". A julgamento de Facua, Viagogo reserva-se a a faculdade de modificar unilateralmente o custo das tarifas aplicáveis "em qualquer momento" e segundo sua "única e absoluta discreción".
Desequilíbrio contratual
Por isso, entende que existe "um evidente desequilíbrio contratual em prejuízo do consumidor", já que Viagogo tem a possibilidade de alterar unilateralmente um elemento essencial do contrato como é o preço ou custo do serviço.
Cabe recordar que a associação já denunciou em 2025 a esta plataforma de compra de entradas por facilitar unicamente uma linha de alto custo 901 para seu serviço de atenção ao cliente.
Que diz a lei
A Lei Geral para a Defesa dos Consumidores e Utentes e outras normas complementares estabelecem que, dantes de assinar qualquer contrato a distância ou fora da loja, a lei obriga ao empresário a informar claramente do preço total (com impostos incluídos). Se o custo não se pode calcular de antemão, deve se explicar como calcular-se-á e desmembrar todas as despesas de envio ou adicionais.
O artigo 82 desta norma deixa claro que "considerar-se-ão cláusulas abusivas todas aquelas estipulaciones não negociadas individualmente e todas aquelas práticas não consentidas expressamente que, na contramão das exigências da boa fé causem, em prejuízo do consumidor e utente, um desequilíbrio importante dos direitos e obrigações das partes que se derivem do contrato".
Abertura de uma investigação
Por todo isso, Facua tem pedido ao Ministério de Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030 que abra uma investigação para determinar se Viagogo vulnera os direitos dos utentes com a imposição de uma série de taxas abusivas que pode impor sem prévio aviso nem causa justificada tanto a compradores como a vendedores.
De ser assim, lhe pede a abertura de um expediente sancionador à empresa e que lhe inste a eliminar ditas cláusulas abusivas de sua página site.