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Volta Art Madri'26: a oda à arte contemporânea chega à capital com 35 galerias e 200 artistas

Descobre a exposição contemporânea mais irreverente: celebra seu 21ª edição na Semana da Arte com suas inovadoras performances, instalações inmersivas e actividades para coleccionistas, todo isso em pleno coração de Madri do 4 ao 8 de março

Rocío Antón

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A contagem regressiva tem terminado e a cidade volta a bater ao ritmo da arte. A 21ª edição de Art Madri levanta hoje o telón de uma cita já imprescindível na agenda cultural, celebrando mais de duas décadas dedicadas à criação contemporânea. Durante cinco intensos dias, a luminosa Galeria de Cristal transforma-se num hervidero de ideias, encontros e descobertas, em plena efervescencia da Semana da Arte.

Trinta e cinco galerias, tanto nacionais como internacionais, e mais de 200 artistas convertem este espaço num mapa vivo do que está a ocorrer agora mesmo no panorama artístico. Não se trata só de uma feira ao uso: é um ponto de encontro onde convivem estilos, discursos e sensibilidades diversas. Pintura, escultura, fotografia, instalação e novos médios dialogan num percurso que convida a olhar sem pressas e a se deixar surpreender.

Neste ano, ademais, a experiência vai para além do tradicional passeio entre stands. O Programa Paralelo cobra especial protagonismo e situa-se no coração da proposta, expandindo os limites do formato expositivo. A feira converte-se assim num palco dinâmico onde o público não só observa, sina que participa, reflexiona e faz parte do que sucede.

O corpo como memória: um ciclo de performance imprescindível

Um dos platos fortes é o Ciclo de Performance, titulado Aberto Infinito. O que o corpo recorda. A performance consolida-se como linguagem finque dentro da programação, reivindicando o corpo como arquivo vivo, como território político e emocional.

O 4 de março às 19:00 h, o coletivo Alta Factura, dA Burra Negra, inaugura o ciclo com uma proposta que promete intensidade e espírito crítico. Ao dia seguinte, 5 de março, também às 19:00 h, Rocío Valdivieso apresenta Escurecer um papel, uma acção que explora os limites entre gesto e significado.

O 6 de março será o turno de Amanda Gatti com Trajectória, uma peça que indaga na experiência pessoal e o movimento como relato. Finalmente, o 7 de março, Jimena Terceiro clausura o ciclo com OFF LINE, uma reflexão performativa sobre a desconexão e a identidade em tempos hiperconectados. Quatro citas para viver a arte em presente contínuo, onde a cada acção sucede uma sozinha vez e permanece na memória.

Open Booth: quando o estande se converte em paisagem

A terceira edição de Open Booth aposta pela experimentação com Despiece. Protocolo de mutación, um projecto site-specific de Daniel Bairro. Aqui, o estande deixa de ser um mero contêiner de obras para transformar num meio inmersivo construído a partir de restos urbanos e materiais industriais.

A instalação convida ao visitante a atravessá-la, a integrar-se fisicamente nela, apagando a fronteira entre espectador e obra. Esta proposta sublinha o compromisso da feira com as práticas emergentes e com aqueles criadores que exploram novas formas de relação com o espaço e o público.

Espaço Nebrija: arte em frente a algoritmo

No Espaço Nebrija, a reflexão toma forma baixo o título Estadias transitórias (NotanIA SipedagogIE). A Universidade Nebrija propõe aqui um diálogo urgente e contemporâneo: a Inteligência Estética em frente ao avanço da lógica algorítmica.

Num momento em que a automação e a inteligência artificial marcam o ritmo de múltiplos âmbitos, este projecto reivindica o valor do gesto humano, a materialidad e o tempo dedicado ao processo criativo. A instalação, de carácter coral, converte o estande num laboratório de ideias onde se cruzam arte, pensamento e debate.

Leituras: novas formas de percorrer a feira

Para quem desejem aprofundar e descobrir a feira desde outros ângulos, a terceira edição de Leituras oferece percursos comisariados desenhados por Zuriñe Lafón e Marisol Salanova. Estas visitas guiadas não são simples passeios, sina itinerarios conceptuais que contribuem chaves de interpretação e ampliam a experiência.

O 4 e o 6 de março às 18:00 h, Zuriñe Lafón propõe Construções do visível, um percurso centrado em como as obras articulam nossa maneira de olhar. Por sua vez, Marisol Salanova convida nos dias 5 e 7 de março, também às 18:00 h, a reflexionar sobre O predominio da estética brilhante, um itinerario que analisa as seduções visuais e seus envolvimentos na arte atual.

Coleccionismo e mecenazgo: o motor invisível

Para além da exibição, Art Madri reforça seu compromisso com o ecossistema artístico através de iniciativas dedicadas ao coleccionismo e ao apoio profissional. One Shot Collectors oferece assessoramento personalizado tanto a quem iniciam-se no mundo de compra-a de arte como a coleccionistas consolidados que procuram ampliar ou redefinir suas colecções.

Ademais, o Programa de Mecenazgo celebra sua segunda edição com prêmios e aquisições que impulsionam a trajectória de artistas e galerias, fortalecendo o tecido profissional que sustenta a feira.

Com 21 anos de trajectória, Art Madri não só celebra sua história, sina que olha para o futuro com uma proposta aberta, diversa e participativa. Uma cita para se perder entre obras, conversas e descobertas; para reencontrarse com a criatividade contemporânea e confirmar que a arte segue sendo um dos melhores lugares onde entender —e sentir— o mundo que habitamos.