Todas as galerias de arte em Espanha anunciam seu fechamento total e dão um ultimato ao Governo

Para perto de 120 espaços clausuram suas portas do 2 ao 7 de fevereiro e suspendem colaborações gratuitas durante três meses para exigir uma IVA reduzido similar ao do resto de Europa

Una persona en una de las galerías de arte de España   Carlos Luján   EP
Una persona en una de las galerías de arte de España Carlos Luján EP

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O Consórcio de Galerias de Arte Contemporânea tem anunciado nesta sexta-feira um parón total de sua actividade. As galerias baixarão a persiana entre o 2 e o 7 de fevereiro como medida de protesto ante a falta de resposta do Governo sobre a noiva baixada da IVA cultural.

Baixo o lema "Fecha-se o maior museu de Espanha", para perto de 120 galerias denunciam uma situação "insostenible" que ameaça a sobrevivência de artistas e espaços expositivos, os deixando em clara desvantagem em frente a seus competidores europeus.

Protesto por uma IVA mais alto que no resto de Europa

O conflito centra-se na negativa do Executivo a aplicar uma IVA reduzido para a arte, similar ao que já existe em países como França, Itália, Alemanha ou Portugal, onde o imposto se situa entre o 5% e o 8%. Em Espanha, denunciam, o IVA é até um mais 100% alto, o que prejudica gravemente a competitividade das galerias nacionais.

Decenas de personas en la feria ARCO Madrid 2025 / EUROPA PRESS - CARLOS LUJAN
Dezenas de pessoas na feira ARCO Madri 2025 / EUROPA PRESS - CARLOS LUJAN

"O atraso na adopção de uma IVA cultural está a ser extraordinariamente perjudicial para a arte contemporânea em Espanha", afirma o Consórcio num comunicado, no que alerta de que a situação ameaça a sustentabilidade do trabalho de artistas e galerias.

Fim da colaboração gratuita com instituições durante três meses

Além do fechamento temporário, as galerias têm anunciado que cessarão toda colaboração gratuita com instituições públicas e privadas em Espanha durante um período de três meses. Isto inclui tarefas que até agora realizavam sem custo algum, como:

  • A localização de coleccionistas para empréstimos de obras.
  • Entrega de material gráfico e documentário.
  • Buscas de arquivo.
  • Gestão e coordenação de transportes.
  • Assessoramento técnico em montagens.

"Deixaremos de fazer todos aqueles trâmites que habitualmente realizamos sem cargo algum para as instituições", sentencia o comunicado do Consórcio.

Um sector que se sente esquecido pelas políticas culturais

O Consórcio denuncia que as galerias de arte seguem sendo "os grandes esquecidos das políticas culturais", em clara desvantagem em frente a outros sectores como a música, as artes escénicas ou o cinema, que sim contam com fiscalidad reduzida.

"A situação é injusta e insostenible e contradiz os princípios de equidade cultural que deveriam guiar a acção de qualquer governo comprometido com a cultura", recalcan.

Mais de 1.000 artistas já advertiram: "As galerias afogam-se"

Esta decisão chega depois de meses de advertências. O passado 10 de dezembro, o Consórcio e associações como Art Barcelona, Arte Madri, AGACC, AGAS, Art Palma Contemporani ou LAVAC, junto a mais de 1.000 artistas visuais, leram o manifesto "IVA Cultural JÁ", no que reclamavam a transposición imediata da diretora européia.

Dos personas en Estampa, la exposición de arte moderno de Madrid / IFEMA
Duas pessoas em Estampa, a exposição de arte moderna de Madri / IFEMA

Nesse documento já alertavam de que as galerias espanholas "se afogam" e pediam medidas urgentes para evitar a deterioração do ecossistema artístico.

O impacto cultural do fechamento de galerias em Espanha

As galerias recordam que seu labor é imprescindível para a sociedade, já que oferecem acesso gratuito e constante à cultura, impulsionam a carreira dos artistas e favorecem a projeção internacional da arte espanhola.

Agora, ante a falta de resposta do Governo, o sector tem decidido passar à acção com uma mensagem clara: sem uma IVA cultural justo, o futuro da arte contemporânea em Espanha está em risco.