Todas as galerias de arte em Espanha anunciam seu fechamento total e dão um ultimato ao Governo
Para perto de 120 espaços clausuram suas portas do 2 ao 7 de fevereiro e suspendem colaborações gratuitas durante três meses para exigir uma IVA reduzido similar ao do resto de Europa
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O Consórcio de Galerias de Arte Contemporânea tem anunciado nesta sexta-feira um parón total de sua actividade. As galerias baixarão a persiana entre o 2 e o 7 de fevereiro como medida de protesto ante a falta de resposta do Governo sobre a noiva baixada da IVA cultural.
Baixo o lema "Fecha-se o maior museu de Espanha", para perto de 120 galerias denunciam uma situação "insostenible" que ameaça a sobrevivência de artistas e espaços expositivos, os deixando em clara desvantagem em frente a seus competidores europeus.
Protesto por uma IVA mais alto que no resto de Europa
O conflito centra-se na negativa do Executivo a aplicar uma IVA reduzido para a arte, similar ao que já existe em países como França, Itália, Alemanha ou Portugal, onde o imposto se situa entre o 5% e o 8%. Em Espanha, denunciam, o IVA é até um mais 100% alto, o que prejudica gravemente a competitividade das galerias nacionais.

"O atraso na adopção de uma IVA cultural está a ser extraordinariamente perjudicial para a arte contemporânea em Espanha", afirma o Consórcio num comunicado, no que alerta de que a situação ameaça a sustentabilidade do trabalho de artistas e galerias.
Fim da colaboração gratuita com instituições durante três meses
Além do fechamento temporário, as galerias têm anunciado que cessarão toda colaboração gratuita com instituições públicas e privadas em Espanha durante um período de três meses. Isto inclui tarefas que até agora realizavam sem custo algum, como:
- A localização de coleccionistas para empréstimos de obras.
- Entrega de material gráfico e documentário.
- Buscas de arquivo.
- Gestão e coordenação de transportes.
- Assessoramento técnico em montagens.
"Deixaremos de fazer todos aqueles trâmites que habitualmente realizamos sem cargo algum para as instituições", sentencia o comunicado do Consórcio.
Um sector que se sente esquecido pelas políticas culturais
O Consórcio denuncia que as galerias de arte seguem sendo "os grandes esquecidos das políticas culturais", em clara desvantagem em frente a outros sectores como a música, as artes escénicas ou o cinema, que sim contam com fiscalidad reduzida.
"A situação é injusta e insostenible e contradiz os princípios de equidade cultural que deveriam guiar a acção de qualquer governo comprometido com a cultura", recalcan.
Mais de 1.000 artistas já advertiram: "As galerias afogam-se"
Esta decisão chega depois de meses de advertências. O passado 10 de dezembro, o Consórcio e associações como Art Barcelona, Arte Madri, AGACC, AGAS, Art Palma Contemporani ou LAVAC, junto a mais de 1.000 artistas visuais, leram o manifesto "IVA Cultural JÁ", no que reclamavam a transposición imediata da diretora européia.

Nesse documento já alertavam de que as galerias espanholas "se afogam" e pediam medidas urgentes para evitar a deterioração do ecossistema artístico.
O impacto cultural do fechamento de galerias em Espanha
As galerias recordam que seu labor é imprescindível para a sociedade, já que oferecem acesso gratuito e constante à cultura, impulsionam a carreira dos artistas e favorecem a projeção internacional da arte espanhola.
Agora, ante a falta de resposta do Governo, o sector tem decidido passar à acção com uma mensagem clara: sem uma IVA cultural justo, o futuro da arte contemporânea em Espanha está em risco.

