Denunciam que Mercosul põe em risco a soberania alimentar: "Desprotege à cidadania"
Toni Valero denuncia que "se construiu para beneficiar às grandes multinacionais, não aos agricultores, nem aos ganadeiros, nem às pessoas consumidoras"
A tormenta pelo acordo com Mercosul não tem amainado. Muitas organizações agrárias têm denunciado que os agricultores europeus devem cumprir normas ambientais, sanitárias e de bem-estar animal muito estritas e caras, pelo que deixar entrar ao mercado europeu carne ou verdura de Brasil, Argentina ou Paraguai, onde as normas são mais laxas, supõe jogar com desvantagem.
Agora, o coordenador geral de IU Andaluzia e porta-voz de Agricultura de Somar no Congresso, Toni Valero, tem anunciado que o grupo no que se refere sua formação no Parlamento Europeu tem decidido "por unanimidade" levar o acordo ratificado entre a União Européia e Mercosul ante o Tribunal de Justiça da União Européia (TJUE).
Um acordo que vai "contra a soberania alimentar"
O parlamentar entende que dito tratado "vai contra a soberania alimentar", e tem explicado que o elevam ao TJUE por "três motivos de fundo". A seu julgamento, o mecanismo de reequilibrio põe em risco a autonomia regulamentar da União Européia e pode pressionar as normas climáticas, ambientais e de segurança alimentar européias.

Neste sentido, muitas vozes têm alertado de que o acordo com Mercosul possibilitará a chegada de alimentos que têm sido tratados com pesticidas e substâncias químicas proibidas na UE, o que consideram um risco.
Beneficiar às grandes multinacionais
Valero critica ademais a "divisão artificial do acordo para esquivar a ratificação dos parlamentos nacionais", e acha que "vulnera o princípio de precaução". Ademais, denúncia que "se construiu para beneficiar às grandes multinacionais, não aos agricultores, nem aos ganadeiros, nem às pessoas consumidoras".
"O Mercosul favorece às multinacionais agroalimentares e à grande indústria centroeuropea, enquanto põe em risco a agricultura e ganadería social e profissional, incrementa a impressão de carbono e desprotege à cidadania em matéria de segurança alimentar", tem remarcado.
