Um avião da Ryanair foi impedido de voar porque o seu piloto não tem dinheiro para pagar uma dívida

Uma passageira processou a companhia aérea depois de esta se ter recusado a reembolsar os 890 euros que teve de gastar por ter perdido o voo devido a um atraso de 13 horas.

A polícia a inspecionar um avião da Ryanair / Berit Roald - EP
A polícia a inspecionar um avião da Ryanair / Berit Roald - EP

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A imagem parece tirada de um filme, mas é completamente real: um avião comercial de passageiros imobilizado na pista por um agente judicial devido a uma factura não paga de menos de mil euros. Ryanair, a conhecida companhia aérea de baixo custo, sofreu o embargo cautelar de uma de suas aeronaves no aeroporto de Linz (Áustria) por não pagar 890 euros a uma cliente.

Esta insólita situação, adiantada pela emissora pública austríaca ORF, põe sobre a mesa até onde podem chegar as reclamações dos direitos dos passageiros face às grandes companhias aéreas.

A origem do conflito

Tudo começou em julho de 2024, quando uma passageira e os seus dois acompanhantes se dispunham a viajar a Palma de Mallorca. O voo operado por Ryanair sofreu um monumental atraso de mais de 13 horas. Ante o desespero e a falta de soluções imediatas, a afectada decidiu procurar um voo alternativo e pagá-lo do seu próprio bolso. As despesas deste novo bilhete, somados aos juros e outro custo derivada do atraso, fixaram a reclamação em 890 euros.

Imagen de archivo del consejero delegado de Ryanair, Michael O'Leary, junto a un avión de la compañía / EFE
Imagem de arquivo do conselheiro delegado da Ryanair, Michael Ou'Leary, junto a um avião da companhia / EFE

Apesar aos reiterados requerimentos para que a companhia aérea irlandesa devolvesse o custo, a empresa ignorou as petições. Isto levou o advogado da passageira a iniciar acções legais, conseguindo uma resolução judicial a seu favor que culminou com o embargo cautelar do aparelho.

Assim foi o embargo: o piloto não trazia dinheiro em numerário

A execução da medida judicial deixou uma cena surrealista no aeroporto de Linz, situado a 180 quilómetros de Viena. Primeiro, um agente judicial dirigiu-se directamente no aeroporto e tentou cobrar a dívida de 890 euros pedindo o dinheiro em numerário ao próprio piloto do avião.

A tripulação não pôde saldar a dívida no momento. Tal como estabelece a política da Ryanair, os pagamentos a bordo realizam-se unicamente com cartão, pelo que não dispunham de dinheiro. Ante a impossibilidade de cobrar a indemnização, o servidor público procedeu ao embargo formal colocando sobre o fuselagem do avião estacionado um autocolante oficial que identifica à aeronave como um "bem embargado" pela Justiça de Áustria.

O que vai acontecer agora? O avião poderá ser leiloado

A situação legal da aeronave está por um fio se a companhia aérea não agir rapidamente. Em declarações divulgadas pelo jornal regional austríaco ÖON, o advogado do queixoso fez um sério alerta à empresa liderada por Michael O'Leary: "Se a Ryanair não liquidar a dívida num prazo razoável, a aeronave poderá até ser leiloada para cobrir o pagamento."

Este caso marca um precedente espantoso e demonstra que os regulamentos de protecção ao passageiro podem chegar a paralisar, literalmente, a gigantes da aviação por somas de dinheiro que resultam insignificantes comparadas com o valor das suas frotas.