O efeito dominou da guerra em Oriente Médio: "O consumidor activa o modo sobrevivência"
O experiente em consumo Kike Aganzo explica a Consumidor Global como afecta o conflito de Irão ao abastecimento de produtos e aos preços em Espanha
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Como afecta a guerra em Oriente Médio ao consumidor espanhol? Existe um risco real de desabastecimiento ou escassez? Está em perigo o fornecimento de certos produtos? Quanto subirão os preços? Como reagem os consumidores ante a incerteza que gera um conflito internacional deste calibre?
Além do consabido incremento do preço dos combustíveis, das escassas reservas de gás e do problema de fornecimento de medicamentos, o fechamento do Estreito de Ormuz gera um temor generalizado. Num mercado tão global, "quando algo se move numa zona tão estratégica, o efeito dominou é inevitável", adverte Kike Aganzo, experiente em consumo e responsável por comunicação de Idealo.
Os dispositivos eletrónicos que vêm de Chinesa
"A única maneira de frear a escalada de preços é recuperar o estreito de Ormuz", tem advertido a Agência Internacional da Energia (AIE). Porque dito fechamento afecta directamente aos combustíveis, mas também à tecnologia e a eletrónica que vem de Ásia.
"Se as rotas marítimas complicam-se, esses barcos portacontenedores cheios de móveis, portáteis e componentes têm que procurar alternativas, e isto afecta de cheio ao estoque que chega a Europa", resume Aganzo.
Preços voláteis e compras preventivas
Estas situações provocam "sobrecostos logísticos" que acabam gotejando no preço final. Ademais, "a incerteza faz que os preços sejam bem mais voláteis e as ofertas durem um suspiro".
Segundo o especialista, falar de um desabastecimiento total de certos produtos "parece-me um palco demasiado alarmista agora mesmo, porque não vemos cenas de pânico nos supermercados, mas sim um movimento preventivo por parte dos consumidores".
Produtos básicos e electrodomésticos eficientes
Produziu-se acopio de alguns produtos? Que alimentos não perecíveis compram mais? Que electrodomésticos têm mais demanda nestes momentos?
Ao igual que durante o Covid e o blecaute do 28 de abril de 2025, ainda que em menor medida, "o consumidor está a comprar mais básicos de despensa com muita vida útil". Quanto a electrodomésticos, a tendência é clara para a eficiência energética. "O consumidor procura tecnologia que lhe ajude a blindar sua bolsillou contra as subidas da luz", detalha Aganzo. Assim mesmo, a busca e compra de kits de emergência tem reflotado.
"O consumidor activa o modo sobrevivência"
Por conseguinte, parece evidente que já se produziu uma mudança drástica nos hábitos de compra dos consumidores, que agora são mais calculadores. Neste contexto, "nota-se um trasvase de orçamento: o dinheiro que dantes ia a caprichos ou artigos de luxo fica na conta ou se destina a cobrir necessidades básicas e produtos que ajudem a reduzir despesas fixas em casa. Isto é, o modo compra por impulso apaga-se e activa-se o modo sobrevivência de poupança".
Segundo o que tem podido apreciar Kike Aganzo em idealo.es, "a gente começa a planificar as compras com semanas de antelación para tentar encontrar um bom preço dantes de que a inflação golpeie de novo".
O consumo em tempos de incerteza
Como funciona a psicologia do consumidor nestes palcos? Como afecta a incerteza ao consumo diário?
"Quando o mundo exterior parece caótico, o consumidor tenta recuperar o controle sobre o único que pode manejar: seu dinheiro. Aparece esse medo a que 'amanhã seja mais caro', o que gera uma atitude bem mais analítica e menos emocional. Já não se fiam da primeira oferta que vêem: comparam, analisam gráficas de preços e esperam ao momento justo. Basicamente, voltámos-nos todos um pouco mais experientes em poupança por pura necessidade", sentencia o experiente.