Google, Microsoft e Amazon já são objectivos de guerra: Irão publica sua lista negra de ataques
Meios vinculados ao Estado iraniano têm assinalado a grandes empresas tecnológicas estadounidenses como possíveis objectivos militares se o conflito regional continua expandindo-se
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Meios iranianos próximos ao poder têm publicado uma lista de grandes companhias tecnológicas estadounidenses que operam na região e que, segundo Teerão, poderiam se converter em objectivos se o conflito com Israel e Estados Unidos segue escalando.
Entre as empresas mencionadas aparecem gigantes como Google, Microsoft, Amazon, IBM, Nvidia, Oracle e Palantir, companhias que formam a coluna vertebral de grande parte da infra-estrutura digital global: desde a computação na nuvem até a inteligência artificial e a análise de dados.
A advertência
A advertência foi difundida pela agência semioficial Tasnim, vinculada ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), que assinalou que a guerra poderia se estender para além das bases militares ou as instalações energéticas.
زیرساختهای فناوری دشمن؛ اهداف جدید ایران در منطقه#انتقام_سخت pic.twitter.com/qhhmsxmz7o
— خبرگزاری تسنیم (@Tasnimnews_Fa) March 11, 2026
"À medida que o alcance da guerra regional amplia-se à guerra de infra-estruturas, também se amplia o alcance dos objectivos legítimos", assinalaram os médios afines ao governo iraniano.
As tecnológicas estadounidenses, no ponto de olha
A lista difundida por meios iranianos inclui algumas das companhias tecnológicas mais influentes do planeta. Google, IBM e Nvidia contam com milhares de empregados em Israel —mais de 10.000 trabalhadores em conjunto— e mantêm uma estreita relação tecnológica com instituições governamentais e de defesa do país.
Google opera sedes em Tel Aviv e Haifa, além de sua sede regional para Oriente Médio localizada em Dubái. A empresa proporciona serviços finque de infra-estrutura na nuvem e ferramentas relacionadas com inteligência artificial utilizadas por organismos públicos e empresas.
Microsoft, por sua vez, mantém um de seus centros de investigação e desenvolvimento mais importantes em Israel, enquanto IBM tem presença em cinco cidades do país e gere importantes banco# de dados.
Nvidia também planea construir em Israel a maior granja de servidores do país, uma infra-estrutura estratégica para o desenvolvimento de inteligência artificial e computação de alto rendimento.
Amazon e Oracle também fazem parte da infra-estrutura digital regional, especialmente através de centros de dados e serviços de computação na nuvem utilizados por empresas, administrações e organismos governamentais.
Um dos casos mais sensíveis é o de Palantir, companhia especializada em análise de dados e inteligência artificial. A empresa mantém acordos de cooperação com o exército israelita para proporcionar tecnologia de apoio em operações militares.
Já têm atacado três centros de Amazon
A ameaça chega num momento no que a guerra moderna depende a cada vez mais da tecnologia. Sistemas de análises de inteligência, plataformas na nuvem, satélites e algoritmos de inteligência artificial são hoje ferramentas fundamentais nos conflitos militares. De facto, a infra-estrutura tecnológica já tem começado a ver-se afectada.
Como já tem informado Consumidor Global, ataques com drones iranianos teriam danificado recentemente centros de dados vinculados a Amazon Site Services em Emiratos Árabes Unidos e Baréin, provocando interrupções temporárias em serviços digitais.
Estes incidentes têm posto de relevo a vulnerabilidade física dos centros de dados, instalações críticas que sustentam grande parte do funcionamento de internet, aplicativos empresariais, plataformas de streaming ou sistemas financeiros. Ademais, em diferentes pontos de Oriente Médio detectou-se um aumento da guerra eletrónica, com interferências em sinais GPS que afectam a sistemas de navegação utilizados por aviões, barcos e aplicativos móveis.
Bancos e centros económicos também em risco
A ameaça iraniana não se limita às tecnológicas. Meios estatais também têm advertido de possíveis ataques contra bancos e entidades financeiras estadounidenses presentes na região.
Um porta-voz militar iraniano chegou inclusive a advertir à população civil de que evitasse se situar a menos de um quilómetro de determinados bancos vinculados a interesses estadounidenses ou israelitas. A advertência chega após que Irão denunciasse um ataque israelita contra um edifício bancário em Teerão vinculado ao Bank Sepah, considerado pelas autoridades iranianas como um ataque direto contra infra-estruturas económicas.
Empresas em alerta e planos de contingencia
Ante a crescente tensão, várias empresas tecnológicas com presença no Golfo têm começado a activar planos de contingencia. Segundo informações de meios internacionais, algumas companhias têm pedido a seus empregados que trabalhem em remoto ou limitem as viagens à região. Outras têm revisado seus protocolos de segurança depois dos recentes ataques com drones e o fechamento temporário de vários espaços aéreos.

Ainda que nenhuma das empresas mencionadas tem emitido declarações públicas diretas sobre a ameaça, o episódio reflete até que ponto a tecnologia se converteu num elemento estratégico nos conflitos modernos.
Serviços que utilizam milhões de pessoas no mundo
O possível ataque a infra-estruturas tecnológicas não só teria impacto regional. Grande parte dos serviços digitais que utilizam empresas e cidadãos de todo mundo dependem de centros de dados e plataformas localizadas em diferentes países.
Desde serviços na nuvem até inteligência artificial, comércio eletrónico ou aplicativos móveis, a economia digital global apoia-se numa rede de infra-estruturas físicas que, em palcos de conflito, podem se converter em objectivos estratégicos.

