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Yayoi Kusama, em lembrança da artista total dos 'Infinity Dots' de Louis Vuitton

A extravagante artista japonesa, falecida neste mês de agosto aos 97 anos, era a pintora viva mais cotada do mercado da arte

Teo Camino

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"Oh, tempo! Detente! Há tantas coisas que quero expressar…", escreveu Yayoi Kusama (Matsumoto, 1929-Tokio 2026), que tem falecido aos 97 anos num hospital de Tokio depois de "uma vida dedicada à cor", segundo um comunicado na página site da artista.

"Nunca deixou de pintar até pouco dantes de sua morte, continuando sua busca do amor eterno e do alma ao longo de seus 97 anos de vida", reza o comunicado, onde também se especifica que Kusama teria morrido o passado 14 de agosto, ainda que a notícia se fez pública hoje, quinta-feira 27 do mesmo mês.

Dias de lunares e flores

Oriunda de Matsumoto, Kusama começou a pintar aos dez anos, durante a Segunda Guerra Mundial, usando como motivo a repetição obsesiva de lunares e padrões como redes, flores e arcos, que plasmó em acuarelas, pastel e óleos.

Ainda que passou muitíssimo tempo dantes de ser reconhecida internacionalmente, a criadora japonesa, polifacética onde as tenha, desenvolveu uma carreira como artista de vanguardia pioneira em campos tão diversos como as belas artes, a arte escénico, a novela e a poesia.

Yayoi Kusama, a pintora mais cotada

Expôs sua obra nos grandes museus espanhóis de arte contemporânea, como o Museu Nacional Rainha Sofía em 2011 e o Museu Guggenheim Bilbao em 2023, com Yayoi Kusama: de 1945 até hoje, uma retrospectiva que contemplaram 560.000 pessoas. De facto, a pinacoteca assegurou que já era "uma das mais populares e exitosas do Museu".

Yayoi Kusama junto a uma de suas obras de arte / GUGGENHEIM

Seu sucesso se catapultó até o ponto de converter na "pintora viva mais cotada, ainda que seu preço mais alto no mercado da arte é dez vezes menor que o de um contemporâneo varão", tal e como assinala a historiadora, crítica e curadora de arte espanhola Victoria Combalía em seu livro As extravagantes (Editorial Circe, 2025), onde dedica uma das nove interesantísimas biografias femininas a Yayoi Kusama.

Os 'Infinite Dots' de Louis Vuitton

"Recentemente, seus famosos pontos de cores, chamados Infinite Dots, aparecem em bolsas, vestidos e chapéus da famosa marca Louis Vuitton e uma escultura hinchable de formas gigantescas que representa à artista aparece no tejado da casa de modas parisina em sua sede dos Campos Elíseos de Paris", prossegue Combalía o retrato de uma artista tão extravagante como popular.

Foram, estes últimos, anos de colaborações em massa com assinaturas de luxo, mas sua lembrança vai bem mais lá.

Uma artista total

Foi pioneira no ambiente contracultural de finais dos anos sessenta, quando denunciou as discriminações raciais e de género, criticou a guerra e o militarismo e chamava a atenção dos meios com seus happenings públicos, como a célebre Grande orgía para acordar aos mortos do MoMA no 1969, onde oito participantes nus adoptavam poses como se fossem estátuas do jardim do museu. E Yayoi Kusama exclamava: "Façamos o amor! Façamos o amor!".

Yayoi Kusama foi uma figura finque da psicodelia que criou redes infinitas e universos impossíveis estimulados por cores alucinógenos. Porque Yayoi Kusama foi uma artista total, e por isso será recordada. Sua morte é um ponto e aparte na história da arte.

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