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As mercadorias peligran: greve indefinida de transportadoras e autocarros a partir de 8 de junho

UGT exige ao Governo uma resposta por escrito à solicitação de coeficientes redutores realizada pelo conjunto dos sindicatos

Juan Manuel Del Olmo

Un transportista levanta el brazo durante los paros de 2022

Depois de anos de tensões estruturais no transporte de mercadorias e viajantes, o frágil equilíbrio do sector poderia estar a ponto de saltar pelos ares. A federação estatal de Serviços, Mobilidade e Consumo de UGT (FeSMC), através do sector de Estradas, Urbanos e Logística, tem anunciado a convocação de uma greve sectorial general e indefinida no transporte por estrada de mercadorias (camiões) e viajantes (autocarros) a partir do próximo 8 de junho.

O sindicato exige ao Governo uma resposta por escrito à solicitação de coeficientes redutores realizada pelo conjunto dos sindicatos e as patronales, que permitiriam adiantar a idade de aposentação dos condutores profissionais devido ao factor de peligrosidad desta profissão.

Sem resposta do Governo

"Têm passado mais de seis meses desde que aprovou-se a tramitação da solicitação e não temos obtido resposta do Governo, do Ministério ou da Administração pública, o que implica que depois de seis meses se considera silêncio administrativo e os coeficientes ficam negados. Essa é a única certeza que UGT tem a dia de hoje", tem assinalado o secretário geral de FeSMC-UGT, Antonio Oviedo.

Vários transportadores do Porto de Barcelona durante uma manifestação em 2022 / EUROPA PRESS - KIKE RINCÃO

Por isso, tem reclamado ao Ministério de Trabalho uma resposta oficial e por escrito sobre o estado de tramitação do expediente e tem denunciado que nem sequer ter-se-ia reunido ainda a comissão técnica encarregada de avaliar os relatórios necessários para resolver a questão. Já em 2024, o sector do transporte protagonizou várias jornadas de desempregos, com cortes viarios nos acessos de cidades.

Diferenças com outros países

Também tem argumentado que há países como Alemanha, Itália ou França e outros da União Européia que já têm mecanismos reconhecidos para a aposentação antecipada dos condutores, ao ter reconhecida normativamente a penosidad desta profissão.

O secretário federal do sector de Estradas, Urbanos e Logística de FeSMC-UGT, Diego Buenestado, tem dado algumas cifras ao respeito, como os mais de 1.800 condutores profissionais que têm falecido desde o ano 2013. Ademais, tem aclarado que isto não é uma greve contra as empresas, sina contra a Administração pública, neste caso o Governo.

Tráfico de transportadores / EUROPA PRESS - DAVID ZORRAKINO

Dados de siniestralidad

FeSMC-UGT tem recordado os preocupantes dados de siniestralidad via registados em 2025. Segundo o Balanço de Siniestralidad Via da Direcção Geral de Tráficou (DGT), no passado ano faleceram 41 pessoas em acidentes com camiões a mais de 3.500 quilos, 17 pessoas em acidentes com veículos comerciais ligeiros e 2 pessoas em acidentes de autocarro. Por isso, um dos lemas que mais têm repetido é que "a fadiga mata".

Para FeSMC-UGT, estes dados refletem com clareza a dureza e a responsabilidade que implica a condução profissional e reforçam a necessidade urgente de reconhecer coeficientes redutores que permitam adiantar a idade de aposentação num sector submetido a elevados níveis de fadiga, estrés e desgaste físico acumulado durante décadas de trabalho ao volante.