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O Banco de Espanha alerta: o turismo e os proprietários estrangeiros aglutinam já quase um milhão de moradias

Ainda que só representam o 3,3% do parque de Espanha, seu impacto "é notável porque se concentram em determinadas zonas"

Juan Manuel Del Olmo

Pisos turísticos en Valencia

Num contexto de crise de moradia asfixiante, no que milhões de pessoas não podem aceder a um andar e no que o preço do aluguer se disparou um 46% em sozinho cinco anos, o Banco de Espanha acaba de contribuir um dado muito llamativo. A entidade, em seu Relatório Anual 2025, põe de manifesto que as moradias turísticas e em mãos de estrangeiros atingiram uma cifra próxima às 900.000 no ano 2025.

Ademais, o Banco de Espanha assinala que o 50% do déficit residencial acumulado que há em Espanha se concentra nas províncias de Madri, Barcelona, Alicante, Valencia, Múrcia e Málaga, que são também as que registam uma maior presença de proprietários não residentes.

Um impacto notável

Ademais, assinala que, ainda que estas 900.000 moradias só representam o 3,3% do parque de moradias de Espanha, seu impacto "é notável porque se concentram em determinadas zonas", atingindo ratios de até o 14% em zonas como Alicante e Málaga. De facto, em Alicante, o Anuário 2025 do Colégio de Registradores reflete que o 43,29% das compra de moradia registadas na província corresponderam a cidadãos estrangeiros.

Uma vista de Alicante / UNSPLASH

À luz destes dados, o Ministério de Moradia e Agenda Urbana tem urgido a limitar os andares turísticos e os usos não residenciais nas zonas tensionadas. Moradia, de facto, considera que estes dados refletem um "impacto direto" da actividade turística e dos usos não residenciais no acesso à moradia.

Fechamento de 111.000 andares turísticos ilegais

Neste sentido, tem emplazado às administrações competentes a clausurar os 111.000 andares turísticos ilegais detectados graças à posta em marcha da Janela Única Digital; e a usar os fundos e programas do Plano Estatal de Moradia 2026-2030 (dotado com 7.000 milhões de euros) para reorientar o uso destas moradias ao residencial de longa duração.

Entre os programas do PEV que podem servir para este fim, o Ministério destaca as ajudas para adquirir estas moradias. Assim, se ajuda às comunidades autónomas para que possam exercer seu direito a tanteo e retracto ou para que possam adquirir moradia de forma direta através o financiamento de 70% do custo de aquisição.

Uma vista de Calpe / UNSPLASH

Financiamento

A percentagem de financiamento pode ascender até o 85% em caso que a moradia adquirida localize-se numa zona tensionada. Essa moradia pôr-se-á em aluguer asequible.

Ademais, põe de relevo as ajudas para que se cedam estas moradias. Com isto, se oferece uma ajuda de até 50.400 euros a particulares que cedam uma moradia à comunidade autónoma durante sete anos para que seja a Administração regional quem a ponha a disposição da cidadania em forma de aluguer asequible. O preço máximo será de 600 euros mensais, que somar-se-ão à ajuda.