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Diabetes: a epidemia silenciosa

As cifras de diabetes tipo 2 assolam à população mundial desde mediados de século XX. Apesar de suas dramáticas consequências na esperança e qualidade de vida, esta doença cohabita conosco sem que lhe prestemos a atenção que merece

O dietista e nutricionista Juan Revenga dá conselhos dietéticos / CG PHOTO SHOTING

As cifras são demoledoras: um da cada dez adultos no mundo padece diabetes mellitus, sendo que, da cada 100 diagnósticos de diabetes, 95 o são de diabetes tipo 2, uma variante em para a que os --maus-- hábitos de vida desempenham um papel fundamental. Assim, segundo a International Diabetes Federation (IDF) se estima que, actualmente, há 537 milhões de adultos no mundo que a padecem e que, ao mesmo tempo, um da cada dez está ainda sem diagnosticar. Desde mediados de século XX estas cifras não têm parado de aumentar, até o ponto de que se estima que para 2030 terá um total de 630 milhões de diagnósticos. E para 2045, as estimativas arrojam a cifra de 783 milhões de afectados.

Baixo a perspectiva de conhecer que em 1980 os casos estavam quantificados em 108 milhões, só cabe uma leitura: trata-se de uma epidemia e está descontrolada.

As consequências são dramáticas

A diabetes é, por tanto, uma das maiores emergências sanitárias mundiais do século XXI. Tanto é de modo que figura entre as 10 principais causas de morte no panorama mundial, e estima-se que a cada cinco segundos falece uma pessoa por causa da diabetes (uma média de 41 mortes devidas à diabetes no tempo que se lê este artigo). Ademais, junto às outras três principais doenças não transmisibles (ENT) que são causa de fallecimiento --doenças cardiovasculares, cancro e doenças respiratórias- contribui para atingir o 80% do total de todas as mortes prematuras e que se associam ao conjunto das ENT.

Poucas ENT, por não dizer nenhuma, têm crescido tanto em tão pouco lapso de tempo. Em termos de mortalidade atribuible, estimou-se que, em 2016, 1,6 milhões de mortes foram causadas directamente pela diabetes e, segundo dados de 2012 contribuídos pela Organização Mundial da Saúde, outros 2,2 milhões de mortes anuais se devem aos níveis altos de glucosa em sangue. Creio preciso pôr em valor estas cifras, e recordar que, a uma das bestas negras de nosso tempo com um especial impacto no acervo popular --o cancro-- se lhe atribuiu em 2020 e segundo a mesma fonte 10 milhões de fallecimientos. Isto é, tristemente --e se permite-se-me a analogia-- estamos a falar de jogadores de uma mesma une.

Diabetes tipo 2 e estilos de vida

Em contraposição à diabetes de tipo 1, a de tipo 2 conta com uns desencadenantes notavelmente relacionados com os estilos de vida. Tal é de modo que existem provas de alta qualidade procedentes de ensaios controlados e aleatorizados sobre prevenção primária, que respaldam a eficácia das intervenções sobre o estilo de vida como uma eficaz maneira de prevenir o avanço da prediabetes para a diabetes tipo 2.

A diabetes não faz ruído

No entanto, parece que a população geral vive de costas destes dados. Apesar dos números, a diabetes tipo 2 não aparenta ser uma preocupação entre a população, seu risco não se vive com um maior temor como sim se vive o de outras ENT. Trata-se, por tanto, de uma epidemia silenciosa ou surda. Acho que seria um bom momento de empreender as acções necessárias para abrir os olhos dos cidadãos e mostrar-lhe que, para além do risco de fallecimiento --suficientemente importante per se-- a diabetes em general e a de tipo 2 mais em particular, supõe a principal causa de cegueira, insuficiência renal, ataques cardíacos, acidentes cerebrovasculares e amputação das extremidades inferiores em nosso meio.

À margem do tema do cancro --sobre o que sim há uma particular sensibilização-- a população geral vive aterrorizada pela obesidad. O assunto não seria mau do todo se dita preocupação estivesse bem focada, me refiro aos envolvimentos desta na diabetes de tipo 2. Mas, mais ao invés, parecesse que a obesidad preocupa principalmente por motivos estéticos em sua maior parte. São escassas as conversas nas que, dentro da preocupação pelo excesso de importância, o risco de diabetes seja um argumento. Parecesse que este risco é um aspecto menor, longínquo se cabe, quando mais ao invés está bem contrastado que, ainda que as causas da diabetes tipo 2 não se entendem plenamente, sim sabemos que existe um forte vínculo desta doença com a obesidad. Entre os factores de risco que são modificables e que desempenham um papel importante no debut da diabetes tipo 2 figuram: um excesso de adiposidad (obesidad), uma dieta inadequada, a falta de actividade física e o tabaquismo. No entanto, acho que não existe uma maior consciência colectiva destas circunstâncias. E eu me pergunto por que: as medidas de prevenção primária são tão claras, as consequências de não as seguir tão graves e o desconhecimento geral tão amplo, que não se entende a aparente despreocupación por parte da população.

Em resumo

  • A diabetes tipo 2 representa uma epidemia emergente com um crescimento incessante desde faz mais de 70 anos.

  • Suas consequências em termos de morbi-mortalidade são suficientemente graves como pára que a população geral mude sua actual percepção ao respeito desta doença que, hoje por hoje, mostra ter uma percepção errónea, inconsciente e/ou condescendiente.

  • É responsabilidade das autoridades sanitárias, do pessoal sanitário devidamente actualizado e dos meios fazer mudar esta perspectiva entre a população geral.

  • Um dado importante para usá-lo a modo de alavanca seria o de saber que, segundo a International Diabetes Federation, poder-se-iam evitar o do 50 ao 60% dos diagnósticos de diabetes tipo 2 com a adopção de um estilo de vida saudável.