Familiares das vítimas de Adamuz denunciam saques depois da tragédia: roubam aos falecidos

Segundo informa em exclusiva o diário ABC, os afectados alertam do desaparecimento de dinheiro, móveis e relógios, e apontam a um "pillaje" nas vias depois do acidente ferroviário

Objetos de los pasajeros en las vías del tren accidentado en Adamuz, Córdoba   Rocío Ruz   EP
Objetos de los pasajeros en las vías del tren accidentado en Adamuz, Córdoba Rocío Ruz EP

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As famílias das vítimas do acidente ferroviário de Adamuz (Córdoba), no que morreram 46 pessoas, têm denunciado o desaparecimento de pertences pessoais de seus seres queridos, segundo tem publicado em exclusiva o diário ABC. Este meio recolhe depoimentos de vários afectados que asseguram ter recebido carteiras sem dinheiro, abrigos rajados ou bolsas vazias depois do siniestro.

O meio citado recolhe o mal-estar dos familiares e o temor a que se tenham produzido pillajes na zona do acidente durante os dias posteriores à retirada dos corpos.

Carteiras vazias e abrigos rajados

O relato dos factos é estremecedor. Quando os familiares foram a recuperar os objetos pessoais, se encontraram com um palco dantesco: carteiras entregadas sem dinheiro e abrigos rajados, supostamente manipulados para sustraer o que tinha em seu interior.

Uno de los vagones del tren de Iryo que descarriló / EUROPA PRESS
Um dos vagões do comboio de Iryo que descarriló / EUROPA PRESS

Vários afectados explicam que, ainda que teve um forte dispositivo da Policia civil (GRS) nos primeiros momentos, a segurança se relaxou depois da retirada dos corpos. Foi nesse lapso de tempo, dantes de que actuassem as equipas de limpeza, quando se suspeita que se produziu o pillaje.

Desaparecimento de móveis, gafas e documentação

"Meu marido levava um bolsito com seus pertences e deram-mo vazio. Tinha sua cremalheira e não estava rompido, mas não tinha nada", relata uma das vítimas ao diário ABC, confirmando o desaparecimento de móveis, gafas e documentação.

Outro depoimento recolhido pelo diário destaca que os telefones móveis deram sinal até horas após o acidente, para depois se apagar definitivamente, o que alimenta a teoria de que foram sustraídos por terceiros alheios ao operativo de resgate.

A resposta de Renfe

A situação tem sido posta em conhecimento de Renfe, e a resposta obtida tem incrementado o mal-estar dos danificados. Segundo a investigação de ABC, desde Renfe Huelva ter-se-ia indicado aos familiares que, efectivamente, teve "pillajes nas vias" e que "a corrente de custodia dos objetos se tinha rompido".

Esta falta de controle tem levado às famílias, que já se sentiam "abandonadas" pela redução da ajuda psicológica por parte do ente público, a se propor interpor denúncias por roubo ante a Polícia Nacional e a Policia civil.

Investigação judicial em curso

Enquanto os familiares lidian com este novo golpe moral, a causa judicial avança nos julgados de Montoro. A nova titular, a magistrada Cristina Pastor Recover, tem tomado posse recentemente.

O seguinte passo chave será a abertura das caixas negras dos comboios, que permanecem custodiadas pela Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF). Este desprecinto, que contará com a presença da Promotoria e a Policia civil, será determinante para esclarecer as causas técnicas do acidente, enquanto as famílias seguem exigindo respostas sobre a segurança e o trato recebido depois da tragédia.