Bizum tem deixado de ser unicamente uma ferramenta para enviar dinheiro entre amigos ou familiares. O popular sistema de pagamentos espanhol prepara uma mudança que poderia alterar o equilíbrio do sector financeiro e a forma na que milhões de pessoas pagam suas compras.
Assim o explica o economista Gonzalo Bernardos num vídeo para Consumidor Global, onde analisa o impacto da chegada de Bizum aos comércios e suas possíveis consequências para consumidores, bancos e gigantes dos cartões.
A mudança que chega aos comércios
"Todos conhecemos que é Bizum", começa explicando Bernardos. Até agora, o serviço estava associado principalmente a transferências instantâneas entre particulares.
No entanto, o economista assinala que esta etapa está a mudar e que Bizum também servirá para pagar directamente em estabelecimentos, competindo com os métodos tradicionais.
Uma vantagem para as famílias
Segundo Bernardos, este movimento simplificará os pagamentos de muitos consumidores. Em lugar de alternar entre diferentes fórmulas, o utente poderia utilizar Bizum como uma opção adicional, mais integrada em seu dia a dia.
Ademais, considera que o aumento de concorrência poderia acabar beneficiando indirectamente ao consumidor se os comércios suportam menos custos associados às transacções.
Guerra aberta a Visa e Mastercard
Para os comércios, a mudança pode ser especialmente relevante. Bernardos sustenta que Bizum fará concorrência aos cartões, especialmente às grandes emissoras internacionais como Visa e Mastercard.
Em sua opinião, esta rivalidad poderia abrir uma "guerra comercial" para conservar clientes e estabelecimentos, o que pressionaria à baixa os custos que pagam os negócios por processar pagamentos.
Mais dinheiro para a banca espanhola
O economista também aponta a outro beneficiado: as entidades financeiras espanholas. Até agora, explica, uma parte das operações com cartão acabava gerando custos vinculados a infra-estruturas tecnológicas internacionais.
"Pagavam pela cada transacção que se fazia com cartão e chegava às contas de Mastercard ou Visa", assinala Bernardos, quem acha que uma expansão de Bizum permitiria reter mais valor dentro do sistema financeiro nacional.
Os ganhadores e os perdedores
A julgamento do economista, o balanço é claro: sairiam ganhando os comércios, as famílias e a banca espanhola.
No outro lado ficariam gigantes como Visa e Mastercard, cuja liderança, segundo Bernardos, poderia se ver ameaçado se Bizum consegue se expandir para além do mercado espanhol e se consolidar como alternativa real aos cartões.