Adif reconhece uma "crise de confiabilidade" e "múltiplas incidências" depois do acidente de Adamuz
O organismo público está a negociar com Fazenda uma rebaja de sua dívida atual, que supera os 21.000 milhões de euros, e assegura que não a pode assumir no contexto atual
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O presidente de Adif, Luis Pedro Marco da Peña, tem admitido que o sistema ferroviário espanhol atravessa uma crise de confiabilidade e confiança depois do acidente de Adamuz.
"Nestes momentos temos uma crise de confiabilidade e de confiança", tem reconhecido Marco da Peña, quem tem assegurado que o gestor ferroviário trabalha para "a combater e a superar". Ademais, tem admitido a existência de "múltiplas incidências" pontuas na rede ferroviária.
Espanha, por adiante de França e Alemanha em indicadores de falhas
Pese a isso, o presidente de Adif tem defendido que os indicadores de incidências situam a Espanha em melhor posição que operadores como SNCF, no França, ou Deutsche Bahn, em Alemanha. As declarações produziram-se durante a jornada O sistema ferroviário espanhol: balanço e futuro, organizada pelo Economista e patrocinada pelo Centro IE de Economia do Transporte e Gestão de Infra-estruturas.

"Devemos combater o relato do catastrofismo com dados empíricos e realidades técnicas documentadas", tem assinalado Marco da Peña, dantes de destacar o processo de reordenação interna que está a levar a cabo Adif.
Adif negocia com Fazenda uma redução de sua dívida
O responsável pelo gestor ferroviário também tem abordado a situação financeira da entidade, cuja dívida com Fazenda supera os 21.000 milhões de euros. Segundo tem explicado, uma cifra que no passado podia resultar "asumible" mas que não o é no atual contexto macroeconómico, já que reduz a capacidade operativa e consome mais de 500 milhões de euros em recursos.
"Seguir por esse caminho inercial seria uma tremenda irresponsabilidad", tem advertido. Por isso, Adif negocia com o Ministério de Fazenda um novo convênio para o período 2027-2031, no que propõe fixar uma senda "real e comprometida" de redução de dívida.
Mais de 6.000 milhões em investimentos prioritários
Marco da Peña tem assinalado que, em curto prazo, a "prioridade" passa por culminar a execução dos mais de 6.000 milhões de euros previstos no marco do plano de transformação e resiliência.

O plano estrutura-se em diferentes eixos, como a modernização da rede convencional, o desenvolvimento de novas linhas e a melhora das conexões ferroviárias para mercadorias. Neste sentido, tem defendido que o caminho-de-ferro está chamado a desempenhar "um papel fundamental" no desenvolvimento de uma mobilidade "segura, sustentável e conectada", impulsionada pelos corredores transeuropeos.
Reforço do pessoal de manutenção
Em matéria de segurança, o presidente de Adif tem anunciado o fechamento recente de um acordo sindical "chave" com os representantes dos trabalhadores e do pessoal técnico de manutenção.
O pacto contempla um incremento de 12% nas plantilla deste pessoal especializado, uma medida que, segundo tem puntualizado, já estava prevista dantes dos "últimos acontecimentos".
Compromisso com a alta velocidade e a rede convencional
Por último, Marco da Peña tem repassado os principais projectos executados e em desenvolvimento e tem reafirmado os compromissos que, segundo tem dito, guiam a gestão de Adif: o equilíbrio investidor entre a alta velocidade e a rede convencional, a blindagem plurianual dos orçamentos de manutenção para os próximos cinco anos, o rigor orçamental e a redução de dívida.
Assim mesmo, tem reiterado aposta-a pelo caminho-de-ferro como "ferramenta de vertebración social e nacional". "Em menos de uma década, mais de 90% da população de nosso país disporá de acesso direto ou próximo a serviços de alta velocidade", tem assegurado.


