Adeus a Swatch: a febre das influencers de moda por sua última colaboração obriga à marca a fechar suas lojas
A assinatura de relógios teve que clausurar ontem suas lojas em Reino Unido, França e Singapura e suspender a estréia de sua colaboração com Audemars Piguet devido à avalanche desbordada de clientes que se agolpaban muito próximo de seus estabelecimentos
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Swatch tem voltado a demonstrar que, em moda e acessórios, o verdadeiro luxo já não sempre se mede só em quilates, manufatura ou cifras impossíveis, sina também em desejo, conversa e capacidade para converter um lançamento em fenómeno global. A assinatura relojera suíça viu-se obrigada a fechar várias de suas lojas e a atrasar a venda de sua esperada colaboração com Audemars Piguet após que milhares de compradores se agolparan ante seus estabelecimentos para tentar se fazer com uma das peças mais comentadas do momento.
A marca apresentou ontem um relógio de bolso de estética pop art criado junto a Audemars Piguet, uma das casas mais veneradas da alta relojería. A expectación, no entanto, superou todas as previsões. As bichas começaram a formar-se inclusive dantes da abertura oficial, com especial intensidade em Dubái, onde a concentração de clientes impediu que algumas lojas pudessem levantar a persiana com normalidade. A cena repetiu-se em diferentes pontos do mapa e obrigou à companhia a tomar medidas drásticas por motivos de segurança.
Relógios Swatch x Audemars Piguet: a colaboração que todos querem atesorar
A pergunta que muitos se fazem é singela: Que tem este relógio para ter provocado semelhante revuelo no mundo? A resposta está na mistura perfeita entre acessibilidade, luxo aspiracional e estética viral que têm popularizado em matéria de dias as influencers do momento.

Swatch, conhecida por seus desenhos coloristas, desenfadados e relativamente asequibles, uniu-se pela primeira vez a uma assinatura externa - e de luxo- a seu próprio grupo empresarial. E não a qualquer, sina a Audemars Piguet, símbolo de exclusividad e referência absoluta entre os coleccionistas de relógios, algo que tem encandilado a todas as subscritoras de moda, como tem sido o caso da conhecida criadora de conteúdo de moda Violeta Mangriñan.
Relógios 'Royal Pop', de bolso e estetica colorida
Dessa aliança nasce a colecção Royal Pop, uma série de relógios de bolso inspirados no mítico Royal Oak, um dos desenhos mais reconocibles de Audemars Piguet. A proposta chega em oito versões de espírito pop, com cores llamativos e uma leitura bem mais lúdica de um ícone tradicionalmente reservado a bolsos privilegiados. Enquanto os modelos mais acessíveis de Audemars Piguet costumam partir de cifras próximas aos 20.000 euros, estas peças situam-se em torno dos 400 euros em loja oficial.
Essa diferença de preço tem sido um dos grandes detonantes da loucura. Para muitos compradores, Royal Pop representa a possibilidade de acercar ao universo Audemars Piguet sem entrar no terreno prohibitivo da alta relojería. Para outros, em mudança, se converteu numa oportunidade de negócio imediato.
A reventa entra em cena
Em várias cidades, numerosos assistentes reconheceram ante os meios que sua intenção não era conservar o relógio, sina revenderlo nada mais o adquirir. A escassez de unidades disponíveis e o enorme ruído gerado em redes sociais têm alimentado um mercado paralelo em lojas como Vinted onde já se estão a vender a quase 2000 euros. Isto já estava a suceder inclusive dantes de que o produto chegasse com normalidade a todos os pontos de venda, o que implica a presença de falsificações circulando.

As bichas intermináveis, algumas formadas desde dias dantes, fizeram saltar os alarmes sobre possíveis incidentes, falta de estoque e problemas de controle nos acessos. Como costuma ocorrer com este tipo de lançamentos, o desejo coletivo se transformou rapidamente em ansiedade de compra. A moda, uma vez mais, funcionou como espelho de uma época na que o limitado, o fotografiable e o compartible pode pesar tanto como o próprio objeto.
Fechamentos por segurança e telefonemas a acalma-a
Ante a situação, Swatch decidiu cancelar a venda em espaços como Dubai Mall e Mall of the Emirates. A companhia explicou que a decisão respondia a motivos de segurança pública e ao desejo de proteger tanto a seus clientes como a seus empregados. Mensagens similares chegaram também a lojas de Reino Unido, França e Singapura, onde as aglomerações obrigaram a modificar o calendário previsto.
Em Estados Unidos, a assinatura anunciou o fechamento temporário de quase uma veintena de estabelecimentos, entre eles alguns situados em cidades finque como Nova York, Los Angeles e Orlando. Em seus comunicados, Swatch pediu expressamente aos compradores que não fossem em massa às lojas e recordou que os relógios estariam disponíveis durante vários meses, tratando assim de rebajar a sensação de urgência.
Um lançamento com impacto financeiro
A colaboração também tem tido reflexo nos mercados. Dantes do lançamento, as acções de Swatch chegaram a subir ao redor de 15%, impulsionadas pela enorme expectación gerada. No entanto, parte desse entusiasmo moderou-se quando se confirmou que a peça estrela seria um relógio de bolso e não um relógio de boneca, como esperavam muitos seguidores da marca.
O movimento chega, ademais, num momento delicado para o grupo suíço. Swatch fechou 2025 com uma forte queda em seus ganhos, afectada pelo contexto alfandegário e por um exercício complicado. A companhia passou de registar 219 milhões de francos suíços de benefício em 2024 a 25 milhões em 2025, uma queda que explica por que este tipo de colaborações podem resultar estratégicas para voltar a situar à marca no centro da conversa.
Críticas pela gestão do fenómeno
Não todo tem sido entusiasmo. Depois do caos vivido durante o fim de semana, muitos consumidores têm criticado a organização do lançamento. Em algumas cidades denunciaram-se aglomerações, momentos de tensão e inclusive episódios que obrigaram a intervir à polícia. Algumas prefeituras têm reprochado a Swatch uma suposta falta de previsão e de pessoal de segurança.

Em Lille, França, o consistorio tem chegado a anunciar acções legais contra a assinatura ao considerar que as bichas bloquearam a circulação na via pública. Enquanto, Swatch tenta recuperar o controle do relato e transmitir tranquilidade. Royal Pop já não é só um relógio: é o último símbolo de como uma colaboração bem calculada pode converter um acessório em fenómeno cultural.

