A escalada bélica em Oriente Médio tem provocado um repunte imediato do euríbor. A taxa reage assim ante a ameaça de uma nova crise inflacionária centrada no sector energético, o que impactará directamente no custo dos empréstimos. De facto, o índice de referência para hipoteca-las escalou 18,5 pontos básicos num sozinho dia, o segundo salto mais abrupto da história.
"Um possível e prolongado aumento dos preços energéticos, junto com o repunte da inflação, reavivó de forma natural os temores de estanflación em Europa. O mercado espera agora que o Banco Central Europeu (BCE) suba as taxas de juro dantes de que termine no ano", explicaram faz uns dias os analistas de Edmond de Rothschild Asset Management.
Quanto vão subir as hipotecas
Tal e como tem explicado Pablo Vega, experiente em finanças do comparador Roams, se o mercado antecipa um repunte da inflação, reage ajustando ao alça e de forma acelerada sua previsão sobre o preço do dinheiro. Neste contexto, os hipotecados perguntam-se, inquietos, quanto vai subir seu hipoteca.
O índice superou o 2,5% o 10 de março, conquanto um dia depois deu um respiro e caiu 0,183 pontos. "Se esta tendência consolida-se ao fechamento de março, a poupança que muitos hipotecados vinham notando em suas revisões anuais poderia desaparecer", explicam desde o comparador. Este é o impacto que Roams estima para uma hipoteca média em Espanha:
- A subida mensal na quota poderia ser de aproximadamente 26 euros
- O sobrecoste total anual ascenderia a mais de 300 euros
Incerteza financeira
A incerteza financeira provoca que os bancos se voltem mais recelosos. Assim, o empréstimo interbancario se tensa, porque as entidades percebem mais risco, o que se translada directamente às quotas dos consumidores com hipoteca variável.
O BCE terá que tomar uma decisão trascendental o próximo 19 de março. A complacencia dos meses anteriores tem-se evaporado, e os mercados antecipam já o início de um ciclo de subidas das taxas de juro para conter a onda inflacionista.