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Renfe elimina a compensação por atraso: "Se não cumprem, que baixem os preços"

A companhia pública soma-se à política de Iryo e deixa desabrigados aos viajantes pese a seus direitos legítimos

Ana Carrasco González

Un afectado por los retrasos en Renfe Marta Pérez EP

Renfe deixará de compensar economicamente os atrasos provocados pelas limitações temporárias de velocidade impostas por Adif a partir deste sábado. Assim o confirmou nesta sexta-feira a própria operadora ferroviária, desatando uma forte polémica entre os utentes e reabrindo o debate sobre os direitos do consumidor e o preço real do serviço de alta velocidade em Espanha.

Segundo tem informado Renfe em sua página site, os bilhetes adquiridos desde manhã não gerarão direito a indemnização quando o atraso esteja motivado por estas restrições, já que considera que se trata de circunstâncias alheias a sua vontade.

Por que há limitações de velocidade?

As restrições começaram a aplicar-se na semana passada depois de alerta-las de vários maquinistas sobre o mau estado de determinados trechos da rede ferroviária nacional, o que tem levado a Adif, gestor das infra-estruturas, a reduzir a velocidade máxima por motivos de segurança.

Um comboio de Renfe / EUROPA PRESS

Desde então, numerosos comboios de alta velocidade estão a circular a ritmos muito inferiores aos habituais, provocando atrasos constantes em trajectos AVE, Avlo e também em operadores privados como Iryo e Ouigo.

Renfe soma-se a Iryo: menos compensações

Esta decisão situa a Renfe na mesma linha que Iryo, que já tinha eliminado as compensações por atrasos derivados de incidências alheias à operadora. Agora, ambas companhias se alinham num modelo que deixa ao viajante praticamente desprotegido, pese a que paga bilhetes a preços de alta velocidade.

"Cobram-te um bilhete a preço de alta velocidade, mas levam-te no mesmo tempo que um comboio de mercadorias. Podeis-vos ir à mierda um momento Iryo e Renfe", assinala um utente em X. Outra viajante, María I.: "Ainda bem que vão devagar porque vete a saber o perigo que implicaria pôr a velocidade alta. Espero que ao não poder cumprir, baixem os preços".

Os direitos do consumidor

"Quando compras um bilhete de AVE se te oferecem horários como se tivesse absoluta normalidade. Mas Renfe sabe de antemão que não vai cumprir esses horários. Como o chamamos? Engano? Inmoralidad? Fraude?", dita um afectado. Tanto Renfe como Iryo amparam-se no Regulamento (UE) 2021/782, que permite excluir o direito a indemnização se o passageiro tem sido informado do atraso dantes de comprar o bilhete.

No entanto, associações de consumidores como Facua recordam que esta mudança de política comercial não exime do cumprimento das indemnizações mínimas fixadas pelo regulamento europeu, inclusive quando os atrasos se devam a decisões de Adif sobre a infra-estrutura.

Bilhetes caros, menos velocidade e zero compensações

A situação tem acendido um debate nacional sobre o modelo ferroviário espanhol, onde os preços seguem sendo elevados enquanto a qualidade do serviço se resiente. "Isto se chama tocar os caralho. Menudos sinvergüenzas", resume um utente.

Com Renfe e Iryo aplicando políticas similares, o viajante enfrenta-se agora a um palco inédito: pagar como alta velocidade por um serviço lento e sem direito a indemnização.