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Adeus às braçadeiras! As alternativas mais seguras para evitar acidentes dos mais pequenos

Todos os anos afogam-se em Espanha uma média de 35 menores de idade, a maioria em piscinas privadas, apesar inclusive de ferramentas como flutuadores e tabelas de cortiça

Ricard Peña

Flotadores hinchables para niños en una piscina PIXABAY

Sobreviver ao verão é mais fácil com uma piscina perto, um lago ou o mar. Assim que chega o calor, estes espaços costumam encher-se de pessoas de todas as idades. Afinal, qualquer desculpa é boa para refrescar e chapinar um momento na água, sobretudo para as crianças, muitas dos quais descobrem os banhos de verão nestes momentos. E como em todas as reuniões sociais, é normal deixar os mais jovens de molho enquanto se cuida dos amigos, a comida ou os planos da tarde.

Neste lapso de tempo, sejam cinco minutos ou uma hora, é quando sucedem a maioria de acidentes na água. A confiança no pequeno volume da piscina ou em flutuadores de todas as formas e cores muitas vezes tornam-os numa isca para a segurança dos menores. No momento menos esperado, estes objetos não só são inúteis contra os afogamentos, mas em alguns casos podem ser a causa.

A armadilha dos flutuadores convencionais

O grande problema de flutuadores, churros de cortiça e produtos semelhantes é que as suas propriedades diferem do uso que lhe dão os adultos. Na grande maioria dos casos, a flutuação é o de menos: são brinquedos. O seu desenho e a sua função não passam por proteger as crianças que os utilizem, mas promovem o uso lúdico que às vezes pode acabar em situações mais complicadas. "Existe uma sensação de segurança que é totalmente falsa. Os flutuadores voltam-se e podem deixar a cabeça do menino submersa", afirma María Anjos Miranda, vice-presidenta da Associação Nacional de Segurança Infantil. E parece ser que o mesmo ocorre com as braçadeiras, pois podem ser furadas ou soltarem-se dos braços, e inclusive com os cintos flutuantes, ao não assegurar uma postura cómoda para sustentar na água.

Depois de falar do resto das opções, estas também não ficam em melhor lugar que as mencionadas. Nem as barbatanas de tubarão, nem as pranchas para aprender a nadar ou as esteiras infláveis. No entanto, existe uma alternativa que permite respirar um pouco mais tranquilo enquanto as crianças se perdem na piscina: os coletes flutuantes. Miranda alerta que devem estar homologados, mas que em qualquer caso oferecem uma proteção considerável contra os afogamentos por menos de 50 euros. Além disso, deixam livres os braços e as pernas, pelo que facilitam o movimento na água.

A segurança não é suficiente

Apesar de que estes coletes dão uma pequena garantia, não são uma solução face aos afogamentos. As variáveis e os acidentes são tão amplos que não se pode confiar num único dispositivo para proteger os mais pequenos. Luis Miguel Pascual, vogal da Associação Espanhola de Técnicos em Salvamento Aquático e Socorrismo, afirma que o primeiro factor de risco para estes acontecimentos costuma ser a falta de supervisão de um adulto. Os pais ou encarregados das crianças são os únicos capacitados para poder resgatar quem se afunde na água. "Quando os pequenos se começam a afogar, não costumam fazer ruído: não têm tempo de gritar e o seu chapinhar costuma ser débil. Segundo o caso, um minuto pode ser demasiado tempo para um acidente deste tipo", comenta o especialista.

Da Associação Nacional de Segurança Infantil estão a tentar estabelecer uma figura conhecida como Guardião do Água através da campanha Ojo, peque al agua. Este cargo é uma posição de cuidador e maestro de jogos que os adultos ou familiares deveriam partilhar sempre que haja crianças na água. Miranda lembra que os adolescentes também não deveriam ficar com a responsabilidade de vigiar crianças pequenas, pelo que os mais velhos teriam estar sempre em cima. Desta forma, não só aumenta a segurança em toda a área, mas que, além disso, as criaturas têm alguém com quem brincar e cuidar.

Invenções espanholas

Em meio ao debate sobre a necessidade de conseguir verdadeiras proteções face aos brinquedos convencionais, Ignacio Cuesta criou o que se conhece como um salvavidas inteligente. Com o nome de Wuanap, o aficionado de desportos aquuáticos desenvolveu um flutuador que se ativa de maneira automática ao notar movimentos ou espasmos debaixo da água, o que automaticamente ativa o seu mecanismo e se enche de oxigénio a grande velocidade. Assim, ainda que o portador fique inconsciente, o dispositivo amarrado ao pescoço mantém a boca e as narinas fora de água.

Conquanto, este equipamento tão avançado está pensado para o seu uso como factor de segurança no trabalho marítimo ou para os aficionados de desportos que requeiram a água. No entanto, o algoritmo que deteta as situações de risco pode ser transferido para ferramentas menos especializadas. O que é importante é que a tecnologia tenha estendido as suas redes também no campo da prevenção dos afogamentos, o que augura designs e equipamentos com uma melhor resposta face aos acidentes.

Proteção antes de entrar na água

Apesar de tudo, existem muitas formas de assegurar uma vigilância constante inclusive antes de que os mais pequenos cheguem sequer a tocar a água. A Associação Espanhola de Pediatría recomenda instaurar sistemas de proteção como cercas ou ter a piscina coberta salvo nos momentos de uso específico. Esta norma converteu-se em legislação na França ao promulgar a Lei Raffarin em 2003. Desde essa altura, as mortes por afogamento em menores de idade foram reduzidas em cerca de 70%, segundo a fonte consultada.

Em todo o caso, Pascual menciona que a segurança passiva pode ser tão importante como a ativa. Além de várias formas de cercas e limites para aceder à água, é importante ter a zona desocupada de brinquedos ou objetos susceptíveis de pôr no caminho das crianças. E mesmo com tudo, existe a possibilidade de instalar um alarme de imersão, a qual se ativa de cada vez que um corpo cai à água enquanto está ativada. "O mais importante é a supervisão ao ser a medida mais versátil para qualquer incidente não esperado", conclui o profissional de salvamento marítimo.