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Núria Betriu, CEO da Pastisart: "Adoramos trabalhar com a Mercadona, mas não somos um fornecedor exclusivo"

A diretora executiva da Pastisart partilha com a Consumidor Global a fórmula do sucesso para conquistar os clientes da Mercadona e o mercado norte-americano

Teo Camino

Núria Betriu, diretora executiva da Pastisart, no stand da marca na Alimentaria / TEO CAMINO

Todos os dias, a Mercadona vende mais de 26 000 unidades de magdalenas e bolos sob a sua marca própria Hacendado. Todos os espanhóis já provaram estes produtos de pastelaria pelo menos uma vez, mas a grande maioria dos consumidores desconhece que são fabricados pela empresa de pastelaria congelada Pastisart, que também comercializa os seus produtos noutras cadeias de distribuição.

Conversámos com a diretora executiva da Pastisart, Núria Betriu, para conhecer os meandros desta indústria tão competitiva que a sua empresa lidera em Espanha.

--Pastisart nasce em 1990, mas foi nos últimos anos quando cresceu de forma vertiginosa. Como avaia o momento atual?

--Pastisart está num bom momento. Tivemos fortes crescimentos. Em 2003 investimos na primeira fábrica em Roda de Berà e numa unidade de produção em Terrassa. A partir dessa fábrica pois vai-se crescendo com produtos, sobretudo, laminados, e em 2019 compramos ao Grupo Siro a fábrica que temos em  El Espinar (Segovia).

--No ano passado, Pastisart facturou 120 milhões de euros, o que representa um crescimento de cerca de 165% face a 2019.

--É verdade. Em seis anos, passámos de 38 para 120,5 milhões de euros de faturação. Todo este crescimento deve-se ao facto de nos termos especializado em duas grandes categorias de pastelaria: tudo o que é laminado, como croissants, folhados, palmeiras e napolitanas, e a outra parte é a massa batida, que são estes bolos que podem ver, que fabricamos principalmente na fábrica de El Espinar.

--Recentemente levaram a cabo uma ampliação na fábrica de Roda de Berà para aumentar a capacidade produtiva.

--Actualmente, em Roda de Berà temos uma capacidade de produção de umas 32.000 toneladas, e o investimento que fizemos é para poder fazer mais 16.000 toneladas.

--Lemos que no Mercadona se vendem 26.000 unidades diárias dos vossos produtos.

--Pode ser. Aqui não tenho as cifras por unidades. No el Espinar vendemos 12.000 toneladas de magdalenas, muffins, bolos, ensaimadas e folhados por ano.

--Qual é o produto mais vendido da Pastisart?

--Continua a ser o croissant, tanto o de chocolate como o normal. E, em massa batida, os bolinhos.

--Alguns definem-na como "a rainha catalã dos bolos congelados", mas a senhora afirmou que "temos a tradição artesanal no nosso ADN". Como é que concilia estes dois aspetos?

--Não creio que tenha sido mal-intencionado. Acho que o artigo define muito bem a Pastisart, porque explica que, no fim de contas, o que nos diferencia da concorrência é o facto de sermos especialistas. Nós não fabricamos pão. Na nossa categoria, procuramos ter um produto posicionado no segmento médio-alto. Investimos muito em I&D para valorizar o produto e, ao mesmo tempo, tentamos não perder tudo o que há de bom na pastelaria artesanal, que é muito purista no que diz respeito às matérias-primas.

--Que ingredientes levam, por exemplo, os vossos bolos?

--Nenhum dos nossos bolos contém conservantes, aditivos, nada. São feitos com ovo, iogurte e farinha. São naturais. E recorremos à tecnologia para garantir padrões muito elevados de segurança alimentar, de higiene no processo de fabrico, de melhores dosagens, melhores controlos, melhorias técnicas… É uma fusão entre o artesanato e a tecnologia. Aproveitamos o melhor de cada um deles. Não queremos perder o nosso ADN, mas estamos num setor muito competitivo e toda a produtividade que conseguirmos ganhar, sem que o produto seja afetado, é importante para que o produto chegue ao consumidor a um custo razoável. O bolso do consumidor também é importante.

--Que peso tem Mercadona na Pastisart? É esse cliente com o qual todo o mundo sonha?

--É um excelente cliente com quem a Pastisart trabalha desde o início, tanto na fábrica de Roda de Berà como na de El Espinar. É um cliente com quem, como costumo dizer, aprendemos mutuamente dia após dia, mas trabalhamos para todo o setor. Também é verdade que todos os produtos para a Mercadona são cuidadosamente concebidos para o seu modelo de negócio. Adoramos trabalhar com a Mercadona, mas não somos fornecedores exclusivos da Mercadona.

--Em janeiro de 2025 publiquei um artigo sobre o vosso compromisso na hora de utilizar unicamente ovos de gallinas livres de jaula na elaboração de vossos galinhas, mas a gripe das aves tem dificultado este avanço. Como está a situação?

--Continuamos empenhados em aumentar, ano após ano, a compra de ovos provenientes de galinhas criadas no chão. Trata-se de uma mudança importante, não só porque é uma decisão da Pastisart, mas também porque os produtores de ovos têm de adaptar as suas instalações e capacidades.

--Vamos falar do sonho americano. Como está a correr a chegada aos Estados Unidos, ao México e ao Canadá?

--Nos Estados Unidos, já trabalhamos com alguns distribuidores. Também comercializamos os nossos croissants em todos os cruzeiros. Nos Estados Unidos, o mercado dos produtos de pastelaria está a crescer de forma exponencial e vemos aí uma oportunidade de mercado.

--Que é o que mais valoriza o consumidor americano da Pastisart?

--O mercado americano valoriza os produtos de qualidade alta que possam ajudar a seguir uma dieta um pouco mais mediterrânica ou um pouco mais natural. Não diria saudável, porque no final é indulgência, mas sim livre de aditivos e de conservantes. Agora, por exemplo, lançamos nos Estados Unidos o Protein Muffin, que é um muffin que leva 14 gramas de proteína. Também o temos em Europa, mas nos Estados Unidos teve uma grande aceitação. Num mercado tão competitivo, Pastisart tem o seu espaço com estes produtos de valor acrescentado que se adaptam às necessidades do consumidor.

--Se entre 2019 e 2024 a vossa facturação subiu 160%, que crescimento esperam nos próximos cinco anos?

--Por enquanto pusemos-nos o objectivo de superar os 170 milhões em 2028, mas vamos passo a passo.