Num contexto no que a cesta da compra se disparou e produtos como os ovos não freiam sua escalada, a Federação de Consumidores e Utentes CECU tem apresentado uma denúncia ante a Comissão Nacional dos Mercados e a Concorrência (CNMC) para que pesquise os margens na distribuição em frente à inflação. A tese da entidade é que algo falha enquanto o custo dos alimentos acumula uma subida próxima ao 30% desde 2021, quase o duplo que o índice de preços de consumo (IPC) general.
Por tanto, CECU denuncia que os preços da alimentação têm registado um "forte incremento que não se limita ao momento de maior inflação, sina que persiste quando esta se reduz". Assim, exige uma investigação para aclarar se os supermercados têm realizado ou estão a realizar práticas fraudulentas.
Encarecimiento de frutas, carne ou legumes
Os dados são muito contundentes. A estabilização de preços está a ser mais lenta na alimentação que no conjunto da economia, com um encarecimiento que afecta sobretudo a produtos essenciais como as frutas frescas (24,3%), os legumes e hortaliças frescas (26,2%), a carne de vacuno (26,1%), a carne de porcino (29,3%) e o leite inteiro (39,4%).
CECU tem advertido de que essa inflação tem um "grande impacto direto na economia dos lares e sua capacidade para ter uma alimentação adequada". Simultaneamente, os agricultores e ganadeiros seguem denunciando margens reduzidas que não cobrem seus custos de produção. Esta situação propõe interrogantes sobre a partilha do valor na corrente agroalimentar.
Vigilância efetiva da corrente alimentar
"Garantir uma alimentação digna e asequible é fundamental. As autoridades devem pesquisar e, se for o caso, actuar. Precisamos uma vigilância efetiva da corrente alimentar para evitar possíveis abusos", tem afirmado Eduardo Montero, responsável por alimentação da entidade.
"O encarecimiento do preço da cesta de compra-a está a impactar na vida de milhões de lares. Pedimos que as autoridades executem seu dever de pesquisar e, se for o caso, que actuem", tem remarcado.