Mercadona lidera com recorde histórico enquanto Lidl e Aldi calcam o acelerador
A corrente valenciana atinge uma quota recorde de 27% num mercado onde crescem os supermercados de surtido curto, se disparam os platos preparados e os consumidores repartem a cada vez mais sua compra entre várias ensinas
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Mercadona reforça sua liderança na distribuição espanhola depois de fechar 2025 com uma quota recorde de 27%, enquanto Lidl e Aldi continuam ganhando terreno e Dia confirma sua recuperação, segundo o relatório Worldpanel by Numerator. O estudo assinala ademais que as correntes de surtido curto concentram já o 38,9% do mercado.
A análise destaca o bom desempenho da companhia presidida por Juan Roig em compra-las de grande volume e especialmente em secções estratégicas de seu modelo de loja T9, como pescado e marisco —onde tem substituído o balcão tradicional pelo autoservicio—, platos preparados e as áreas de perfumaria e higiene.
Liderança reforçada
Lidl segue avançando até situar-se cerca do 7% de quota (6,9%), consolidando-se como alternativa para realizar compra-a completa, impulsionada em parte por seu programa de fidelización. Não obstante, seu crescimento em clientes freou-se pela perda de penetração em lares jovens. Aldi, por sua vez, atinge o 2% do mercado espanhol e posiciona-se como a corrente que mais tem incrementado compradores em 2025, com 1,4 pontos percentuais mais, além de melhorar frequência de visita e percepção de preço.
Dia atinge o 3,8% do mercado e se afianza como referente em proximidade. Ensina-a continua seu processo de recuperação com renovação de lojas e abertura de novos locais, reforçando atributos como sua marca própria, promoções e cartão de fidelización.

Rivais em ascensão
Segundo Bernardo Joelho, Retail Business Diretor de Worldpanel by Numerator, "Mercadona e Lidl estão a crescer ao incentivar cestas de maior tamanho, o que lhes permite reter mais despesa do consumidor, enquanto Dia confirma sua recuperação e Aldi acelera sua expansão".
Em contraste, Carrefour mantém a segunda posição mas perde 0,7 pontos de quota, até o 9%, e reduz sua base de compradores (-1,8%) devido ao retrocesso do formato hipermercado, o mais afectado nos últimos anos, ainda que melhora em suas lojas de proximidade.
Carrefour retrocede
As correntes regionais mostram sinais de desaceleración, pese a crescer em conjunto 0,4 pontos até o 18,5% do mercado. O frenazo concentra-se na segunda metade do ano em alimentação embalada, ainda que seguem destacando em frescos. Neste âmbito, Consum consolida-se como segundo revendedor do arco mediterráneo com um 10,1% de quota e forte presença na Comunidade Valenciana e Cataluña, sua principal zona de expansão.
O relatório também sublinha o avanço de novos actores com propostas diferenciadas. Primaprix atinge já ao 20% da população e destaca em categorias como chocolate, onde triplica quota, enquanto Action e Costco crescem com força graças a sua oferta de platos preparados.
Regional e novos actores
No início de 2026, Mercadona, Lidl e Aldi mantêm sua tendência ao alça, o que confirma a preferência dos consumidores por supermercados de surtido curto.
O estudo realça ademais o auge dos platos preparados, uma categoria que está a transformar o grande consumo e ganhando peso na cesta. Actualmente, o 22% destes produtos compra-se para consumir fosse do lar.
Mercadona, líder em platos preparados
Somando consumo dentro e fora, Mercadona lidera com um 19,7% em valor, por adiante de bares e cafeterias (11,2%) e restaurantes independentes (8,6%), enquanto Carrefour e Lidl completam o top cinco com o 6% e o 5,1%.
Joelho resume o fenómeno com uma cifra significativa: "Mercadona vende praticamente o 20% do que comemos em Espanha, se situando por diante inclusive do canal hostelero tradicional".
Quotas e hábitos
O crescimento da marca de distribuição continua impulsionado pela busca de poupança dos lares, atingindo o 45,6% de quota, 1,7 pontos mais. O preço e as promoções ganham peso na eleição de loja —têm subido quatro posições desde 2021— e os consumidores repartem cada vez mais seu orçamento entre diferentes correntes, visitando várias num mesmo dia para aproveitar ofertas, num contexto ainda marcado pelo ajuste depois da inflação dos últimos anos.
