Novo atraso no AVE Madri-Sevilla: data de reapertura e plano alternativo de Renfe

A posta em marcha da linha adia-se semanas após o prometido pelo ministro de Transporte, Óscar Ponte, e as operadoras bloqueiam a venda de bilhetes

Imágenes de las obra de reparación de la vía en Adamuz tras el siniestro   Madero Cubero   EP
Imágenes de las obra de reparación de la vía en Adamuz tras el siniestro Madero Cubero EP

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A normalidade na alta velocidade do sul de Espanha terá que esperar. A reapertura da linha AVE Madri-Sevilla tem sofrido um novo revés e não estará operativa, no mínimo, até a próxima terça-feira 17 de fevereiro. Este novo adiamento supõe que o serviço cumprirá um mês completo paralisado depois do trágico acidente de Adamuz o passado 18 de janeiro.

Ainda que Adif segue sem confirmar uma data oficial definitiva, os operadores ferroviários (Renfe, Ouigo e Iryo) já têm reagido movendo ficha: têm bloqueado a venda de bilhetes até o mencionado dia 17, assumindo que as vias não estarão prontas para o tráfico comercial dantes dessa data.

Dance de datas e promessas incumpridas

A incerteza apoderou-se dos milhares de utentes do corredor sul. O ministro de Transportes, Óscar Ponte, assegurou depois do acidente que a linha voltaria a operar o 2 de fevereiro. Essa previsão falhou. Posteriormente, apontou-se ao 8 de fevereiro, depois à quinta-feira 12 e, finalmente, a data fixou-se no 17 de fevereiro.

Un tren AVE de Renfe / Carlos Castro - EP
Um comboio AVE de Renfe / Carlos Castro - EP

Este atraso de duas semanas com respeito à previsão inicial do Governo deve-se, em grande parte, à complexidade dos trabalhos sobre o terreno e à meteorologia adversa. Adif tem comunicado que, ainda que os trabalhos de plataforma e superestructura estão avançados, ficam tarefas pendentes que "precisam se fazer sem chuva". "As chuvas e a previsão de que estas prossigam nos próximos dias podem atrasar alguns trabalhos", advertem desde o gestor de infra-estruturas.

Plano alternativo de transporte: assim se viaja nesta semana

Ante a impossibilidade de circular pela via danificada, Renfe tem ampliado seu plano alternativo de transporte. Se tens um bilhete para viajar nestes dias prévios ao 17 de fevereiro, deves saber que:

  • O trajecto em comboio interrompe-se no trecho afectado.
  • Realiza-se um trasbordo obrigatório em autocarro entre as estações de Villanueva de Córdoba e Córdoba.
  • Este "by-pass" por estrada incrementa consideravelmente o tempo total da viagem.

O AVE a Málaga, sem data e em situação crítica

Se a situação na linha de Sevilla é complicada, o corredor Madri-Málaga vive um palco ainda mais incerto. Aos problemas derivados do acidente de Adamuz soma-se o temporal da semana passada, que provocou o desprendimiento de um talud de cinco metros sobre as vias à altura de Álora.

A diferença da linha a Sevilla, o trajecto à Costa do Sol não tem data de retomada. As estimativas mais otimistas apontam no final de fevereiro ou princípios de março para recuperar o tráfico ferroviário nesta linha, deixando no ar a conexão direta com um dos destinos turísticos mais importantes.

Quanto demorará o AVE uma vez reaberto?

Ainda que as operadoras vendem os bilhetes com os tempos de viagem habituais (os prévios ao acidente), o sector dá por certo que aplicar-se-ão limitações temporárias de velocidade na zona consertada. Esta medida, similar à aplicada na linha Madri-Barcelona pelas vibrações, poderia alongar a duração dos trajectos durante as primeiras semanas de operação para garantir a segurança no trecho reconstruído.

O corredor Madri-Andaluzia é uma arteria vital para Espanha. Segundo dados da CNMC, em 2024 moveu a 10 milhões de passageiros (5 milhões a linha de Sevilla e outros 5 a de Málaga/Granada), o que significa que um de cada quatro utentes da alta velocidade espanhola depende destas vias para se deslocar.