Os agricultores alertam: o pacto com Mercosul abre a porta ao "filete de ternera hormonado"
O coordenador estatal de União de Uniões, Luis Cortês, tem assinalado que o acordo abre a porta à entrada de carne menos saudável
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Uns 8.000 agricultores e ganadeiros, acompanhados de 500 tractores chegados de toda Espanha, convocados por União de Uniões de Agricultores e Ganadeiros e a União Nacional de Associações do Sector Primário Independentes (Unaspi), têm tomado as ruas de Madri nesta quarta-feira.
Fizeram-no para mostrar sua rejeição aos recortes da futura Política Agrícola Comum (PAC) e ao recente acordo comercial UE-Mercosul, bem como para protestar pela perda de rentabilidade que está a levar ao fechamento de explorações.
500 tractores em cinco colunas
Desde primeira hora da manhã, uns 500 tractores (uma cifra inferior aos 1.500 previstos inicialmente pelos organizadores), têm ido tomando com atraso e baixo uma incessante chuva a Praça de Colón desde cinco colunas procedentes de Torrejón da Calçada, Robregordo e Arganda do Rei na Comunidade de Madri, bem como desde Guadalajara e O Espinar (Segovia).

Seu percurso tem culminado em frente ao Ministério de Agricultura, Pesca e Alimentação, onde não poderão aceder com os tractores, depois de passar pelo Passeio de Recoletos e o Passeio do Prado.
8.000 agricultores e ganadeiros de toda Espanha
Entre os lemas presentes têm figurado 'Em defesa do campo que alimenta a Europa' e 'Quando o campo se levanta, Europa se detém. Não a Mercosul'; ou 'Se o campo não produz, a cidade não come'.
Ademais, muitas de proclama-las interpelaban directamente aos cidadãos que viam e aplaudiam o passo da tractorada pela via madrilena. É o caso de 'A mim a cada vez me custa mais produzir e a ti a cada vez te vão cobrar mais, por que não nos unimos e o tentamos solucionar'.
Apelo aos partidos políticos
O coordenador estatal de União de Uniões, Luis Cortês, tem-se congratulado pela resposta do sector nesta jornada reivindicativa. "O Partido Popular e o Partido Socialista terão que fazer o que seus cidadãos lhes peçamos, porque para isso lhes votámos. Temos uns partidos políticos que não nos defendem", tem reiterado.

Cortês tem lamentado a falta de unidade de acção com o resto de organizadores agrárias que não se uniram ao protesto, ainda que se viram bandeiras de Asaja e também de organizações de autónomos. "Acho que todos estamos de acordo em que este acordo de Mercosul não é um bom acordo comercial", tem sublinhado.
"Jogamos-nos muito"
"Jogamos-nos muito os agricultores e os ganadeiros, jogamos-nos muito neste acto. E, ojito, um apelo aos consumidores. Hoje, se vamos comprar um filete de ternera, sabemos que esse filete é são, mas a partir do ano que vem, se se assina este acordo, esse filete de ternera poderá estar hormonado", tem advertido.
Por sua vez, o presidente de Unaspi, Miguel Ángel Aguilera, tem feito um apelo aos parlamentares para denunciar "que estas políticas de Europa nos estão a arruinar, que a Agenda 2030, sobretudo os Acordos Mercosul, vai ser a puntilla do sector primário".
