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Starbucks fecha todas suas lojas em Coreia do Sur para dar classe de história a seus empregados

A medida chega após a polémica gerada por uma campanha promocional relacionada com o massacre de Gwangju que provocou o despedimento de um diretor

Ana Carrasco González

Una tienda de Starbucks Qilai Shen EFE

Starbucks fechará todas suas lojas em Coreia do Sur antecipadamente para que seus trabalhadores participem numa formação sobre consciência histórica e sensibilidade social.

A decisão produz-se semanas após o escândalo provocado por uma campanha promocional que foi conceituada ofensiva por parte da sociedade surcoreana.

Um fechamento geral e inédito desde 1999

O gigante do café paralisará por completo sua actividade num de seus mercados mais lucrativos. O próximo 22 de junho, a partir de 15:00 hora local (6:00 GMT), as persianas dos locais baixar-se-ão em bloco. "Nesse dia, todas as lojas do país fecharão temporão e os empregados receberão formação sobre consciência histórica e sensibilidade social", tem confirmado num comunicado oficial o Grupo Shinsegae, operador da franquia no país asiático.

Esta medida não só afectará aos baristas e pessoal de loja; as sessões de formação intensiva estender-se-ão de maneira obrigatória aos diretores da sede central de Starbucks Korea e, inclusive, ao mismísimo presidente de Shinsegae, Chung Yong-jin. Trata-se da primeira vez que ocorre um fechamento total deste tipo desde que a marca aterrasse em Coreia do Sur em 1999.

O presidente de Shinsegae, Chung Yong jin, desculpa-se depois da polémica de Starbucks / JEON HEON-KYUN - EFE

Uma polémica relacionada com o massacre de Gwangju

A crise começou o 18 de maio, uma data especialmente sensível em Coreia do Sur por ser o aniversário do levantamento de Gwangju contra a ditadura militar de Chun Doo-hwan em 1980.

Nesse dia, Starbucks lançou uma promoção on-line, telefonema 'Tank Day' (Dia do tanque), que oferecia descontos em suas novas xícaras metálicas e convidava explicitamente aos clientes a "golpear sobre" a mesa. O nome e alguns elementos da campanha foram duramente criticados ao considerar-se que podiam recordar aos tanques militares utilizados durante a repressão de Gwangju, um episódio histórico marcado pela morte de manifestantes prodemocracia.

As críticas multiplicaram-se em redes sociais e desembocaram em apelos ao boicote contra a corrente. A controvérsia obrigou a Starbucks Korea a pedir desculpas publicamente e derivou no despedimento de São Jung-hyun, o diretor executivo local da companhia.

Os diretores também terão formação histórica

A formação anunciada não afectará unicamente aos trabalhadores das lojas. Também participarão empregados da sede de Starbucks Korea e altos cargos de Shinsegae, incluído seu presidente, Chung Yong-jin.

A companhia procura reforçar os critérios internos para evitar novas campanhas que possam se interpretar como uma falta de sensibilidade para acontecimentos históricos ou sociais relevantes.

A polémica também chegou às instituições surcoreanas. O presidente do país, Lee Jae-myung, criticou publicamente o caso, enquanto a Comissão de Comércio Justo anunciou que revisaria o regulamento relacionado com possíveis reembolsos de saldos ante as reclamações de alguns clientes.

Coreia do Sur, um dos maiores mercados de Starbucks

O impacto do escândalo tem especial relevância porque Coreia do Sur é um dos mercados mais importantes para Starbucks a nível mundial. No final de 2025, o país contava com 2.115 lojas, convertendo-se no terceiro mercado com mais estabelecimentos da marca por número de locais.

O fechamento antecipado de todas as cafeterias representa uma medida excepcional para uma companhia com uma presença tão ampla no país e reflete a dimensão de uma polémica que tem traspassado o âmbito comercial para converter num debate sobre memória histórica e responsabilidade empresarial.