As autoridades sanitárias de Hong Kong têm activado uma alerta alimentar que impacta directamente no sector exportador espanhol. O Departamento de Higiene Alimentar e Ambiental (FEHD) tem ordenado a suspensão imediata da importação e venda de todas as ostras cruas procedentes da planta procesadora espanhola Mariscos Escacha, S.L.
A decisão drástica chega depois de vincular os produtos desta empresa com uma recente onda de casos de intoxicación alimentar na cidade asiática. Segundo meios locais, o bloqueio afecta especificamente aos lotes procedentes da instalação com código 12.04628/PO, exigindo a todos os operadores e restaurantes que deixem de comercializar ao instante.
37 casos em duas semanas
O alarme saltou depois da investigação de 37 casos de intoxicación registados num período muito curto, entre o 1 e o 12 de fevereiro. Os afectados enfermaron depois de consumir ostras em diferentes restaurantes da cidade.
Equipas do Centro para a Segurança Alimentar (CFS) rastrearon os lotes servidos nos locais implicados, revisando as práticas de manipulação e conservação. Ainda que as inspecções apontaram inicialmente à assinatura espanhola, o brote parece ter múltiplas ramificações. De facto, as autoridades também têm suspendido as importações da planta surcoreana Seojun Mulsan Co., Ltd. (vinculada a 13 dos casos) e das revendedoras locais Jeton International Foods e 88 Investment Holdings Limited.
A resposta da empresa espanhola: "Conclusões prematuras"
Ante o revuelo mediático e a suspensão comercial, Mariscos Escacha, S.L. tem emitido um comunicado contundente no que solicita "rigor e prudência". A companhia assegura que a investigação segue aberta e que ainda não se determinou a origem exata das ostras que causaram as intoxicaciones.
A empresa galega aclara que as autoridades estão a analisar mostras de "ao menos quatro possíveis origens implicados, entre eles Coreia do Sur, França, Irlanda e Espanha". Ao não existir ainda resultados oficiais das analíticas de laboratório, consideram que lhes assinalar como únicos responsáveis é "prematuro".
"Milhares de consumidores têm ingerido seus ostras nesse mesmo período sem ter reportado nenhum tipo de mal-estar", assinalam desde a empresa, advertindo sobre o risco de gerar um "alarme desnecessário".
Controles de qualidade e traçabilidade
Mariscos Escacha defende sua trajectória de 13 anos exportando ao mercado asiático sem incidentes prévios. A companhia destaca que, só durante o período pesquisado (do 1 ao 12 de fevereiro), enviaram umas 25.000 unidades ao mercado, exportando semanalmente mais de 15.000 ostras.
Assim mesmo, recordam que sua planta de depuração está submetida a estritos controles oficiais por parte da Xunta de Galiza e o Ministério de Previdência, cumprindo com todos os regulares para a emissão de certificados sanitários de exportação.
Riscos do norovirus e recomendações
Enquanto esclarece-se a origem do brote, as autoridades de Hong Kong têm intensificado as inspecções em mais de 1.200 estabelecimentos. Recordam que as ostras, ao filtrar grandes volumes de água, podem acumular bactérias perigosas como Vibrio parahaemolyticus ou vírus como o norovirus e a hepatitis A.
O norovirus, especialmente ativo em inverno, é altamente contagioso e provoca sintomas como:
- Náuseas e vómitos.
- Diarrea e dor abdominal.
- Febrícula e mal-estar geral.
O CFS tem notificado a situação às autoridades espanholas e mantém a investigação aberta. Por sua vez, recomenda-se aos grupos de risco (grávidas, meninos, idosos e pessoas inmunodeprimidas) que evitem o consumo de ostras cruas, já que só a cocción completa elimina estes patogénicos.