Cuidar o cérebro para envelhecer melhor: que hábitos protegem da demência e o alzhéimer

A Dra. Belém Sánchez, chefa de serviço de Neurología do Hospital Universitário Quirónsalud Zaragoza, sublinha a importância da alimentação e de manter uns hábitos saudáveis

Un equipo médico realiza unas pruebas relacionadas con el alzheimer
Un equipo médico realiza unas pruebas relacionadas con el alzheimer

O alzheimer é uma das piores doenças que uma pessoa pode padecer, já que trastoca a esencia mesma de quem é: suas lembranças, sua personalidade e sua conexão com os demais. É, ademais, uma doença devastadora para o meio de quem padecem-na. Apesar desta crudeza implacável, nos últimos anos produziram-se avanços científicos prometedores que permitem sonhar com que no futuro se abra uma porta para a ralentización da doença.

Tal e como explica a este meio a Dra. Belém Sánchez, chefa de serviço de Neurología do Hospital Universitário Quirónsalud Zaragoza, é importante ter presente que o alzheimer não é uma fase que faça parte de um envejecimiento normal, e também não afecta só à memória. "É uma doença. De facto, não é exclusiva de idosos, e pode se manifestar como mudanças de personalidade, apatía, alterações da linguagem, etc.", detalha.

Exercício e hábitos de vida saudáveis

Muito pesquisou-se sobre as causas que favorecem o aparecimento do alzheimer, conquanto a ciência tem ainda um longo caminho por percorrer. O que sim está claro é que o sedentarismo é um factor crítico. Por contra, a Dra. Sánchez detalha que o exercício, junto com a adopção de hábitos de vida saudáveis, pode atrasar a evolução natural da doença, "inclusive pode ajudar à normalização de biomarcadores da doença, indicando um travão na velocidade do desenvolvimento do processo", expõe.

Una persona hace deporte / FREEPIK
Uma pessoa faz desporto / FREEPIK

A Dra. Sánchez cita os argumentos expostos pela Dra. Niotis, do Instituto de doenças neurodegenerativas de Floriden, na 77ª reunião da academia americana de neurología, celebrada em abril de 2025: "A redução do peso, evitar doces industriais, adoptar uma dieta mediterránea, reduzir o consumo de carne vermelha, bons hábitos de sonho e manter uma actividade de exercício físico moderado ou intenso, implica uma redução do risco de evolução da doença de Alzheimer", lista.

A importância da dieta mediterránea

Com respeito à alimentação, sua relevância é tal que a Dra. Sánchez declara que a dieta mediterránea emerge "como um dos principais factores de protecção em frente à doença de Alzheimer".

Estima-se, prossegue, que pode reduzir o risco de desenvolvimento cognitivo entre um 10-20%, inclusive em pessoas com predisposición genética através do tipo 4 da Apo-E. "As gorduras saudáveis do azeite de oliva, vegetais de folha verde, frutos vermelhos, yogur e pescado azul favorecem uma neuroprotección", revela. Por outra parte, pese à crescente popularidade dos suplementos vitamínicos, a evidência científica demonstra que nenhum previne, por si mesmo, esta doença.

Una persona prepara una ensalada / FREEPIK - 8photo
Uma pessoa prepara uma salada / FREEPIK - 8photo

Vitaminas e dieta

"Está a estudar-se muito sobre o papel das vitaminas do grupo B, os ácidos omega 3, o zinco e certos compostos de Litio. Mas em definitiva, a dieta mediterránea costuma integrar estes elementos em si mesma", argumenta a especialista de Quirónsalud.

Os bons hábitos, convém recalcar, são fundamentais, já que a herança genética não tem tanto peso no desenvolvimento da doença. "Tão só entre o 1 e o 5% dos casos de Alzheimer são hereditarios. A imensa maioria dos casos resultam de interacções de factores de risco genéticos (como o tipo do gene APO-E), mas sobretudo ambientais", detalha a Dra. Sánchez.

O peso da idade

O maior factor de risco é a idade. "A partir de 65 anos, a probabilidade de desenvolvê-lo duplica-se a cada 5 anos. Estima-se que um terço da população maior de 85 anos vive com esta doença", prossegue. Para identificá-lo a tempo, "existem biomarcadores detectables em laboratório e em provas de imagem que ajudam a predizer o desenvolvimento".

Dos personas caminan / FREEPIK
Duas pessoas caminham / FREEPIK

Ao falar de hábitos também é preciso mencionar a solidão e o isolamento, problemas que a OMS define como uma "grave ameaça para a saúde mundial". Ao respeito, a Dra. Sánchez reconhece que la falta de comunicação derivada da solidão na que vivem hoje em dia muitas pessoas maiores favorece a evolução da doença de Alzheimer.

Isolamento social e demência

"Estar só incrementa o risco um 31%, tanto como a obesidad ou a falta de actividade física. Por tanto, a socialización é importante. O relatório da comissão Lancet sobre a demência de 2024, chegou à conclusão de que o isolamento social em etapas tardias da vida contribui a um 5% dos casos globais de demência", relata.

Resulta um paradoxo amargo que, no ponto álgido da conectividade digital, a sociedade experimente sua crise de solidão mais profunda. "Os dispositivos virtuais são um arma de duplo fio. Por um lado podem favorecer o isolamento, que, como temos visto, é um factor de risco, e o abandono do esforço mental necessário que implicam certas habilidades habituais da vida diária. Mas também há estudos que demonstram que videollamadas de 30 minutos várias vezes por semana melhoram as funções executivas e a memória em idosos isolados", conclui a Dra. Sánchez.