Loading...

Previdência financia um novo jarabe com sabor menta para deixar de fumar em 25 dias

O novo tratamento, que promete eliminar o hábito na primeira semana, chega em formato líquido para facilitar sua tomada aos fumadores que querem abandonar o fumo neste ano

Ana Carrasco González

La presentación de un nuevo tratamiento contra el tabaquismo de Adamed David Fernández EFE

Deixar de fumar é um dos propósitos mais repetidos a cada começo de ano e, neste 2026, pode estar mais perto que nunca de se cumprir. O Ministério de Previdência tem dado luz verde ao financiamento de uma nova apresentação de Recigarum (citisiniclina), um fármaco que agora chega em solução oral com sabor a menta e que promete ayudar aos fumadores a deixar o hábito por completo.

Tal e como têm explicado desde a companhia farmacêutica Adamed em roda de imprensa, o tratamento completo dura 25 dias e se apresenta numa bomba dosificadora com sabor a menta, o que facilita sua administração com ou sem água. A cada dose contém 1,5 miligramos de princípio ativo, equivalente a um comprimido, formato que já estava financiado em Espanha desde 2023.

Como funciona Recigarum: pauta gradual e abandono total do fumo

O tratamento com Recigarum segue uma pauta descendente. Durante os três primeiros dias administra-se uma dose a cada duas horas, com um máximo de seis ao dia. À medida que avançam nas semanas, a frequência vai-se reduzindo até completar os 25 dias. O ponto finque chega no quinto dia, momento no que o paciente deve deixar de fumar por completo. Em caso de recaída ou de que o tratamento não funcione, este deve se interromper e pode se retomar depois de dois ou três meses.

"Somos os únicos que vamos lançar uma solução oral para conseguir deixar de fumar", tem sublinhado Bernardo de Rafael Töpfer, diretor geral de Adamed, sobre o compromisso da companhia com a luta contra o tabaquismo. Ademais, a farmacêutica trabalha já num estudo para prolongar o tratamento em pacientes que precisem mais dos 25 dias estabelecidos.

Sete em cada dez fumadores querem deixá-lo, mas não o conseguem

Segundo os últimos dados da encuesta IDADES do Ministério de Previdência, o 25,8% da população entre 15 e 64 anos tem fumado a diário no último mês. Sete em cada dez fumadores querem deixar o fumo e quatro em cada dez tentaram-no sem sucesso. Apesar disso, o fumo segue sendo a segunda substância psicoactiva mais consumida.

O neumólogo e experiente em tabaquismo Carlos Jiménez Ruiz tem fazer# questão de que deixar de fumar sem ajuda é extremamente difícil. "A probabilidade de sucesso sem apoio profissional é de mal o 5%, enquanto com tratamento farmacológico e apoio psicológico ascende até o 35-55%", tem explicado.

Precaução em pessoas em tratamento por tuberculose

Sobre a citisiniclina, Jiménez Ruiz tem destacado que é um fármaco eficaz e seguro, capaz de reduzir a síndrome de abstinencia e a dependência física à nicotina.

Ademais, pode utilizar-se em pacientes polimedicados, já que está praticamente livre de interacções, ainda que recomenda-se precaução em pessoas em tratamento por tuberculose.

Críticas ao financiamento: não é realmente universal

Apesar do financiamento público, os experientes reclamam mudanças no acesso. Raúl de Simón Gutiérrez, coordenador do Grupo de Trabalho de Tabaquismo de SEMERGEN, tem criticado os critérios atuais do Ministério de Previdência, que considera restritivos e pouco cientistas.

"As pontuações de dependência exigidas deixam fora ao 80% dos fumadores", tem advertido. A isso se soma que cada comunidade autónoma decide que especialistas podem prescrever estes tratamentos. Isto é, em algumas regiões podem recetarlo cardiólogos ou psiquiatras, e em outras não, o que dificulta o acesso universal ao tratamento e gera, segundo De Simón, "muitíssima inequidad" entre pacientes.