Agosto e o calor sofocante que tem asfixiado a toda Espanha causa estragos nos bolsos dos consumidores. Neste mês, a factura elétrica aponta a uma subida a mais de 20% com respeito ao mesmo mês do ano passado, impulsionada por uns preços da luz disparados pelo repunte da demanda durante as ondas de calor e um gás natural ao alça.
O recebo da luz de um utente médio com a tarifa regulada (o denominado PVPC) disparou-se um 22% no que vai de mês com respeito a 2025. Nos 21 primeiros dias de agosto, a factura tem ascendido a 61,33 euros, em frente aos 50 euros que supôs no mesmo período do ano passado.
Subidas encadeadas durante o verão
Assim, no que vai de mês o recebo elétrico representa para o utente um encarecimiento a mais de 11 euros com respeito ao mesmo período de agosto de 2025. Com respeito a julho, no que a factura já registou um importante repunte, o incremento no que vai de agosto é já a mais de 8%, uns 4,6 euros mais.
Até o passado mês de junho teve um verdadeiro alívio no recebo da luz devido às medidas do real decreto que se aprovou em março para combater o impacto da guerra em Oriente Médio. Não obstante, desde o 1 de junho desse mês decayó a rebaja do IVA ao 10% na factura elétrica, voltando ao habitual 21%, como consequência da moderación que tinha registado sua evolução no Índice de Preços de Consumo (IPC).
As ondas de calor disparam a factura
Este encarecimiento em agosto que sofrerá a factura elétrica vai da mão de um preço da luz que neste mês de agosto se disparou a rebufo do incremento da demanda devido às altas temperaturas e a um gás que pressiona a cada vez mais ao alça.
Apesar da forte presença da geração solar, nas horas nas que esta energia não tem presença ganham um peso importante os ciclos combinados para cobrir esse consumo, repercutindo assim o preço do gás no do 'pool' -ao que há que somar o impacto do preço do CO2-, indicaram fontes do sector. O preço do gás natural, ante a incerteza sobre as rotas de fornecimento de Oriente Médio, as reservas européias dantes do inverno e essa demanda elétrica do verão, não tem parado de subir em agosto, até levar sua cotação, no caso do Mibgas espanhol, acima dos 65 euros por megavatio hora (MWh).
Preço médio diário superior a 120 euros/MWh
O preço do mercado mayorista da luz, o denominado 'pool', regista uma média diária nos 23 primeiros dias de agosto a mais de 124 euros/MWh, apontando assim a seu nível mais alto desde fevereiro de 2023.
O 'pool' tem estado todos os dias em media acima dos 100 euros/MWh, com excepção de duas jornadas. Ademais, deu-se a circunstância de registar no mesmo dia mínimas próximas a zero euros, ou inclusive preços negativos, coincidindo com as horas centrais do dia e a maior geração solar, com máximas próximas aos 200 euros/MWh nas horas noturnas.
Como se calcula o preço mayorista
O preço mayorista da luz determina-se mediante um leilão, na que um algoritmo casa as ofertas das companhias produtoras de electricidade com as ordens de compra, se ordenando da mais barata à mais cara e o custo final vem determinado pela oferta mais cara.
Todo isso faz que o preço oscile muito em função de se, pela demanda prevista, na cada determinado momento se vão usar fontes de energia que usem combustíveis fósseis -como o gás natural-, mais caras, ou as renováveis, mais baratas. Ao preço do mercado mayorista da electricidade há que somar os custos fixos existentes para o consumidor elétrico por portagens, cargos e ajustes de sistema.
Perda do peso do 'pool' para o PVPC
Ademais, o 'pool' não representa exactamente o custo final no preço da luz para um consumidor acolhido à tarifa regulada, já que desde 2024 se adoptou um novo método de cálculo do PVPC, que incorpora uma cesta de preços a meio e longo prazo para evitar as fortes oscilações, sem perder as referências de preços em curto prazo que fomentam a poupança e o consumo eficiente.
Desta maneira, a proporção de vinculação com o preço do 'pool' foi-se reduzindo nos últimos anos progressivamente, para incorporar as referências dos mercados de futuros, de maneira que, desde este 2026, essa referência dos mercados de futuros representa já o 55%. Estes incrementos no preço mayorista da electricidade afectam principalmente aos lares que estão acolhidos a esta tarifa regulada do PVPC, para perto de uns oito milhões, já que o efeito é direto, enquanto para os consumidores do mercado livre o custo se calcula em função do que tenham pactuado com sua comercializadora.
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