O poder adquisitivo dos consumidores tem-se desplomado nos últimos anos: o preço da moradia está pelas nuvens, o que expulsa a vizinhos de seus lares e impede a muitos espanhóis formar familas; os alimentos têm-se encarecido um 40% desde 2021 e a guerra em Irão ameaça com piorar ainda mais as coisas.
Neste contexto, um estudo da escola de negócios AAE Business School reflete que o custo geral da vida tem subido no último lustro um 20%.
Corpo reconhece um "choque de preços"
Agora, o vice-presidente primeiro e ministro de Economia, Comércio e Empresa, Carlos Corpo, tem assinalado que, desde o 2022, Espanha tem sofrido o "maior 'choque' de preços nos últimos 50 anos", o que tem suposto uma subida de preços em torno do 17%, um ponto menos com respeito ao acumulado da zona euro.
Corpo tem reconhecido este incremento na sessão de controle ao Governo no Senado. Na mesma, a senadora de ERC Sara Bailac tem assinalado que a cesta da compra está a cada vez mais cara, os andares de aluguer mais elevados e os de compra inaccesibles. "Na rua a sensação de afogo aumenta e a guerra em Irão faz que o panorama futuro seja pouco esperanzador", tem lamentado.
O Governo defende sua actuação
Ante este palco, Corpo tem defendido que o Governo actua em duas direcções. Em primeiro lugar, modernizando a economia, o que supõe, a seu julgamento, mais emprego, de maior qualidade (algo que em teoria vai associado a salários mais altos) e, portanto, a uma recuperação do poder adquisitivo, com medidas como a subida do salário mínimo interprofesional.
A outra linha de actuação é a protecção aos cidadãos, por exemplo, com as medidas do Real Decreto-Lei para fazer frente ao conflito em Oriente Próximo, que supõem uma redução de 15% na factura da luz de 20 milhões de lares ou uma redução de uns 20 euros por depósito para todos os espanhóis.
Aumento da exclusão severa
Apesar destas medidas, há motivos para a preocupação. Por exemplo, o IX Relatório sobre Exclusão e Desenvolvimento Social em Espanha 2025, elaborado pela Fundação para a Alavancagem de Estudos Sociais e de Sociologia Aplicada FOESSA e Cáritas Espanhola, reflete que a exclusão severa em Espanha já afecta a 4,3 milhões de pessoas, um 52% mais que em 2007.
O estudo revela que quase a metade da população ocupada (47,5%) se encontra em situação de precariedade trabalhista e que um de cada cinco habitantes (20,2%) vive por embaixo da ombreira de pobreza.
Incremento da desigualdade
Assim mesmo, o relatório assinala que o mais 10% rico dos lares espanhóis concentra mais da metade da riqueza total do país (54%), enquanto a metade mais pobre mal acumula o 7%.
Simultaneamente, enquanto em 2011 o 82% dos lares eram proprietários de sua moradia habitual, a cifra desceu nove pontos, até o 73%, em 2020.