O Governo aprovará um pacote de medidas para paliar os efeitos económicos da guerra em Oriente Médio que contempla uma rebaja do IVA dos combustíveis de automoción, a electricidade e o gás natural. O tipo passará de 21% atual ao reduzido de 10% .
O Executivo prevê completar este plano com novas rebajas fiscais na electricidade, melhoras no bono social elétrico e medidas para garantir o fornecimento energético num contexto de elevada incerteza.
Um pacote anticrisis
A rebaja do IVA dos combustíveis de 21% ao 10% supõe uma mudança de enfoque com respeito a medidas anteriores. Em 2022, o Governo optou por uma bonificación universal de 20 céntimos por litro para fazer frente aos efeitos da guerra em Ucrânia.
Nesta ocasião, patronales e gasolineros tinham reclamado uma redução da fiscalidad como alternativa, depois dos problemas derivados daquela bonificación. O novo pacote incluirá ademais a eliminação do imposto especial aos hidrocarburos, a exclusão do imposto elétrico -actualmente no 5%- e uma rebaja do imposto à produção elétrica, segundo publica a corrente SER.
Um plano que abarca quatro dimensões
O Executivo defende que o plano será "proporcional, perimetrado e focalizado" para limitar o impacto do encarecimiento dos combustíveis e a electricidade sobre a economia.
Depois de reunir-se com agentes sociais, sectores afectados e grupos políticos, o Governo propõe uma estratégia em quatro eixos: medidas estruturais, pacote fiscal, apoio aos sectores mais afectados e um reforço do escudo social para os coletivos mais vulneráveis.
Aposta por renováveis e alívio energético
A primeira das linhas de actuação centra-se em medidas estruturais, com o objectivo de reforçar a transição energética. Para isso, impulsionar-se-ão iniciativas como as comunidades energéticas, o autoconsumo ou o uso de bombas de calor, junto com a electrificación.
O segundo bloco orienta-se a reduzir o custo energético mediante medidas fiscais. A isso se soma um terceiro eixo dirigido a conter o impacto do encarecimiento dos combustíveis em sectores como o campo, a pesca, o transporte e as indústrias electrointensivas e gasintensivas, enquanto o quarto se foca no escudo social, incluindo a proibição de cortes de fornecimento aos mais vulneráveis.
Sem mudanças em desahucios nem alugueres
O decreto não incluirá finalmente medidas como a proibição de desahucios para pessoas vulneráveis nem a prorrogação dos contratos de aluguer que vencem neste ano e o próximo.
Tanto a vice-presidenta primeira e ministra de Fazenda, María Jesús Montero, como o ministro de Economia, Carlos Corpo, já têm deslizado que ambos assuntos não contam com suficiente apoio na Câmara.
Votar-se-á na próxima quinta-feira no Congresso
O Congresso debaterá e votará na próxima quinta-feira 26 de março o decreto lei que recolhe este pacote de medidas para fazer frente às consequências económicas do conflito em Irão.
Ainda que a entrada em vigor dos decretos lei é imediata, estes devem ser convalidados pela Câmara num prazo de trinta dias. Neste caso, a Junta de Porta-vozes tem decidido agilizar sua tramitação para que possa se incluir no Pleno da próxima semana sem demoras. Desde o Governo sublinham que o plano contará com a flexibilidade necessária para adaptar à evolução da situação e adoptar novas medidas se fosse necessário.