O mercado imobiliário espanhol mantém sua tendência de ascensão e continua afastando o acesso à moradia para uma parte importante dos compradores. A combinação de uma demanda sustentada e uma oferta insuficiente segue impulsionando os preços, que encadeiam anos de incrementos e registam novas subidas de dois dígitos.
Depois da publicação do Índice de Preços da Moradia (IPV) correspondente ao primeiro trimestre de 2026 por parte do Instituto Nacional de Estatística (INE), os principais portais imobiliários alertam de que o mercado tem atingido níveis que já superam os máximos registados durante a borbulha imobiliária prévia à crise de 2008.
Uma subida de 12,9% num ano
Os dados do INE refletem que o preço da moradia aumentou um 12,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior e um 3,5% com respeito ao trimestre precedente. Para pisos.com e Fotocasa, estas cifras evidencian uma forte pressão compradora que recorda ao comportamento observado dantes do estallido da borbulha imobiliária.
O diretor de Estudos de pisos.com, Ferran Font, tem assinalado que o mercado residencial tem começado 2026 com uma intensidade que "nou mostra signos de agotamiento". Ademais, destaca que o sector acumula mais de uma década de incrementos e que todas as comunidades autónomas registam subidas interanuais de dois dígitos.
Mais compradores e um perfil com maior capacidade económica
Desde Fotocasa apontam a que a demanda continua crescendo. Segundo tem explicado sua diretora de Estudos e porta-voz, María Matos, actualmente o 18% da população procura uma moradia em propriedade, em frente ao 12% que o fazia em 2019.
A experiente detalha que cerca do 80% desta demanda corresponde a compradores de moradia habitual e que ao redor de 25% responde a operações de reposição com menor necessidade de financiamento. Ademais, trata-se de um perfil com uma elevada capacidade económica, enquanto o peso dos investidores atinge o 8% e o dos compradores estrangeiros representa já o 14% das operações.
A moradia nova segue pressionando ao alça os preços
A obra nova continua sendo um dos segmentos com maior tensão. Ferran Font assinala que este tipo de moradia mantém um crescimento especialmente elevado devido à falta de produto disponível no mercado.
Por sua vez, María Matos recorda que a moradia nova fechou o quarto trimestre do ano anterior com um incremento anual de 9,1% e considera que dificilmente experimentará uma moderación de custos em curto prazo. Segundo explica, os obstáculos que afectam a esta tipologia de moradia seguem presentes e poderiam se prolongar durante os próximos anos. Não obstante, a porta-voz de Fotocasa adverte de que o recente repunte da inflação na eurozona e a possibilidade de um endurecimento da política monetária poderiam actuar como um "travão" sobre a demanda durante a segunda metade do ano, contribuindo a moderar a intensidade das subidas.