A experiência de Marta Lozano, deputada a mais Madri na Assembleia de Madri, reflete a realidade que enfrentam milhares de madrilenos em plena onda de calor. "O passado 6 de julho quis ir à piscina, mas estava todo esgotado. Se queres ir no mesmo dia, não há entradas", relata a Consumidor Global.
"Ou percorres média cidade em procura de uma piscina com praças livres ou passas vários dias pendente do aplicativo da Prefeitura para conseguir uma reserva. E, se finalmente entras, esquece-te de encontrar um lugar onde pôr a toalha", resume a política.
Madri, a cidade com menos piscinas por habitante
"Madri é uma das cidades com menos piscinas públicas por habitante, só por trás de Sevilla", sustenta Lozano. Os dados respaldam seu diagnóstico. Com uma população ao redor de 3,5 milhões de habitantes, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a capital dispõe de 25 piscinas municipais de verão, o que supõe uma ratio aproximada de uma instalação pela cada, aproximadamente, 140.000 vizinhos.
A escassez, ademais, não se reparte de forma homogênea. "Há cinco distritos que não têm nem sequer uma piscina municipal", sublinha a deputada. Efectivamente, a configuração urbana da almendra central tem deixado sem este tipo de equipamentos a distritos como Centro, Chamberí, Salamanca, Tetuán e Chamartín, obrigando a milhares de residentes a deslocar a outros bairros para aceder a uma piscina pública.
A comparação com outras grandes cidades põe ainda mais de relevo o desequilíbrio. Zaragoza, com 727.475 habitantes, segundo o último padrón municipal, conta com 22 centros desportivos municipais com piscinas de verão, o que equivale a uma piscina pela cada 33.067 habitantes. Em termos proporcionais, a capital aragonesa oferece uma cobertura quase cinco vezes superior à de Madri.
A regulação das entradas
"Desde 2020, no ano da pandemia, aproveitou-se para fazer uma espécie de regulação das entradas que, evidentemente, joga na contramão do cidadão", denúncia Lozano.
"Já não podes improvisar o que dantes se fazia de ir à piscina sem mais. Se pelo que seja não o podes programar —porque estás a trabalhar ou por mil motivos—, tens que andar procurando onde podes ter uma praça livre e te fazer 20 quilómetros para te ir à outra ponta de Madri. Tens-te que chegar a fazer a mala praticamente e te ir a peregrinar".
'Madri não é cidade para chapuzones'
Segundo o relatório Madri não é cidade para chapuzones, elaborado pela Federação Regional de Associações Vecinales de Madri (FRAVM), a rede atual só oferece entre 35.000 e 52.000 entradas diárias (segundo a contabilización de turnos).
Isto significa que mal se cobre ao 1,5% da população total da capital, gerando uma saturação inevitável durante as ondas de calor.
As piscinas cobertas estão fechadas em julho e agosto
"Eu mesma queria ir a tarde do 6 de julho à piscina do Sítio, que é a que me fica perto. Não tinha entradas. Olhei para o dia seguinte, também não. Depois provei com as piscinas cobertas e descobri que estavam fechadas por manutenção", realça.
Praticamente toda a rede de piscinas cobertas do município permanece fechada durante os meses de julho e agosto. Por regulamento técnico e de salubridade (Real Decreto 742/2013), estas instalações requerem labores anuais de casca, limpeza profunda e desinfecção. A Prefeitura aproveita nos meses de julho e agosto para realizar estas paradas técnicas em quase todos seus centros. "Só há dois piscinas cobertas que estão abertas em Madri", assinala Lozano.
Um modelo de piscinas privadas
Para além da dificuldade para conseguir entrada, a deputada denuncia também a massificação das instalações. "Se consegues entrar, já não podes nadar. Esquece-te. Há tantísima gente que não podes nem pôr tua toalha", descreve Lozano. "Estão pensadas para chegar, meter-te e sair correndo, porque não há espaços para poder estar", acrescenta.
"Privatizou-se e o modelo são as urbanizações que têm piscina. Se tens teu piscina privada, pois já está", denuncia a deputada por Mais Madri.
Três piscinas em 30 anos
Em 1989, sob a prefeitura do socialista Juan Barranco, a capital contava com 18 piscinas de verão. Um plano de choque de investimento desportivo desenhado naquela época permitiu inaugurar mais quatro nos primeiros anos noventa, elevando a rede a 22 instalações.
Desde mediados dos anos 90, o número de piscinas públicas ao ar livre tem passado de 22 a 25. "Em 30 anos têm construído três piscinas para uma população de 3,5 milhões de habitantes", enquanto a população tem crescido significativamente e as temperaturas têm aumentado.
"É uma vergonha que um município como Madri, que presume de ter a renda mais alta e o Produto interno bruto (PIB) mais alto de toda Espanha, esteja nestas circunstâncias em plena onda de calor", sentença Lozano.
A proposta para duplicar a rede de piscinas
Em frente a esta situação, o grupo parlamentar a mais Madri tem apresentado uma Proposição Não de Lei (PNL) na Assembleia de Madri para "reforçar a rede de piscinas públicas na Comunidade de Madri".
A proposta insta ao Governo regional a pôr em marcha, em colaboração com a Prefeitura, um Plano Extraordinário de Infra-estruturas acuáticas públicas com o objectivo de duplicar o número de piscinas públicas. A PNL aboga por estabelecer critérios de reequilibrio territorial e vulnerabilidade climática, priorizando a construção em bairros com maior impacto da ilha de calor, menor renda por lar e moradias com pior isolamento.
"É uma coisa como muito elementar", defende Lozano. Naqueles distritos onde a construção de novas piscinas fosse impossível por questões técnicas, a proposta propõe alternativas baseadas em parques e jogos de água. Ademais, a PNL exige garantir amplas zonas de sombra vegetal, tanto nas instalações existentes como nas novas, "priorizando a sombra vegetal (árvores de folha caduca, cobertas verdes…) ou em seu defeito, sistemas artificiais".
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