Ryanair tem decidido garantir a continuidade de Michael Ou'Leary à frente da companhia até 2032. Sem dúvida, trata-se de seu executivo mais polémico, quem chamou "idiota" à o ministro de Consumo, Pablo Bustinduy, qualificou de "infundadas e ilegais" as sanções impostas em 2024 por parte desse mesmo ministério e, em alguma ocasião, levou-se um tartazo por parte de ecologistas enquanto visitava a Comissão da UE.
Ou'Leary assumiu o cargo de CEO em Ryanair em 2019 e, ainda que desde então tem protagonizado numerosos titulares, a irlandesa aposta por ele. De facto, o grupo Ryanair Holdings tem atingido um acordo para que o diretor continue como conselheiro delegado do grupo até abril de 2032.
Quase quatro décadas vinculado a Ryanair
A renovação amplia em quatro anos o horizonte de seu atual mandato, que expirava em 2028. Com este novo acordo, Ou'Leary seguirá liderando a aerolínea para além dos 70 anos. Seus inícios na irlandesa remontam-se a 1988 como diretor financeiro, até desempenhar o cargo de CEO do grupo desde abril de 2019.
Segundo tem explicado a companhia, o novo contrato contempla um salário anual que qualifica como "razoável", além de uma bonificación anual sujeita a um limite máximo. O acordo também mantém uma opção de compra previamente anunciada sobre 10 milhões de acções da empresa.
Condições para aceder às acções
Ryanair tem detalhado que essa opção poderá executar a um preço de 26,70 euros por acção, equivalente ao valor de mercado registado em fevereiro de 2026 dantes da queda da cotação atribuída ao conflito entre Irão e Israel.
Não obstante, para poder beneficiar desta opção Ou'Leary deverá permanecer no grupo até abril de 2032. Ademais, será necessário que Ryanair atinja determinados objectivos, como superar um benefício neto de 4.000 milhões de euros ou que o preço de suas acções ultrapasse os 42 euros durante 28 dias consecutivos dantes do 31 de março de 2032.
Ryanair também blinda a outros diretores
Quanto a outras mudanças e depois de um período de importante renovação do conselho, Stan McCarty (presidente) e Róisín Brennan (diretora sênior independente) têm lembrado permanecer no órgão até setembro de 2029 e 2030, respectivamente, para facilitar a gestão experimentada do grupo, a sucessão ordenada e a incorporação de novos conselheiros externos não executivos.
Sobre o ano fiscal 2025-2026, finalizado o passado março, Ryanair reportou um benefício após impostos recorde de 2.260 milhões de euros (dantes de partidas excepcionais), um mais 40% com respeito ao exercício prévio.
Mais de 208 milhões de passageiros anuais
De seu lado, os rendimentos totais do grupo elevaram-se um 11%, atingindo os 15.540 milhões de euros, impulsionados por um aumento de 4% no tráfico de passageiros, que já soma 208,4 milhões de utentes anuais.
Apesar do conflito em Oriente Próximo, Ryanair tem destacado uma estratégia de coberturas que assegura o 80% de seu fornecimento para o próximo ano a um preço de uns 67 dólares.