Ryanair não vai crescer em Espanha durante o próximo ano. Assim o antecipou o conselheiro delegado da aerolínea, Eddie Wilson.
O diretor tem avançado nesta segunda-feira que, seguramente, 2027 será o primeiro ano em que a aerolínea não cresça em Espanha desde que começou a operar em país.en um encontro organizado com meios de comunicação, Wilson tem indicado que a subida das taxas aeroportuarias proposta por Aena para o próximo quinquénio faz que os aeroportos espanhóis, em especial os "regionais", não sejam competitivos, pelo que a companhia dirigirá seus recursos para outros países que resultem mais beneficiosos economicamente, como Croácia, Albânia ou Marrocos.
Ryanair carrega contra Aena
Wilson tem aproveitado que nesta segunda-feira se realizou a partilha de dividendos de Aena para pôr de relevo que o gestor aeroportuario destina o 80% de seus benefícios a repartir entre seus accionistas -- o maior é o Estado--, enquanto se dedica a realizar investimentos em aeroportos estrangeiros --Brasil ou Reino Unido-- e a aumentar os custos dos aeroportos espanhóis "infrautilizados".
O diretor irlandês tem carregado de novo contra Aena e sua proposta tarifaria, recordando que a companhia tem eliminado 3 milhões de assentos em aeroportos pequenos desde 2024, 1,2 milhões para esta temporada de verão, e que continuará reduzindo sua capacidade à medida que as rotas no país deixem de ser competitivas.
Os reproches de Wilson ao Governo espanhol
A companhia aérea considera que o Governo, apesar de possuir uma participação de 51% e "ser responsável pela política tarifaria", não está a fazer nada para evitar a saída das aerolíneas das regiões espanholas e "em lugar de utilizar seu controle para bloquear o aumento de 21%" das taxas está a optar por "maximizar as voltas de caixa ao permitir que Aena abuse de sua posição de monopólio".
Wilson tem recordado que Ryanair está à espera de receber 300 novos aviões entre 2027 e 2034 e que é a única aerolínea de Europa com possibilidade de grandes crescimentos no médio prazo, mas que não fá-lo-á em Espanha. Desta forma, já tem avançado que não terá crescimento, sem especificar se isto significa um retrocesso, e que dar-se-ão mais detalhes quando se anuncie a programação da temporada de inverno nos próximos meses.
Os preços dos bilhetes sobem
Sobre a tendência dos preços dos bilhetes para os próximos meses, Wilson tem augurado um alça destes devido ao preço do combustível, uma menor capacidade oferecida pelas aerolíneas --após que algumas tenham cancelado voos e tenha destinos com menor operativa-- e uma tendência a reservas mais tardias por parte dos consumidores.
A companhia, segundo tem assinalado seu conselheiro delegado, não tem problemas derivados pelo preço do combustível pelo momento, já que tem comprometido o 80% para este ano, pelo que Wilson tem assegurado que não esta circunstância não terá impacto em sua operativa, ao menos durante o mês de maio e o de junho. Assim mesmo, tem assinalado que não acha que Espanha vá ter problemas com o fornecimento graças a sua alta capacidade de refino, bem mais alta que em outros países do meio, como Reino Unido.