Inditex joga-lhe um pulso à marca albaceteña Zarla por considerar que dá lugar a confusão

A EUIPO dá a razão a Inditex e freia o registro de Zarla por seu parecido com Zara em produtos de cosmética e lar

Uma loja da Zara / VICKIE FLORES - EFE
Uma loja da Zara / VICKIE FLORES - EFE

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Na indústria da moda, o valor de uma marca vai bem mais lá de um logotipo. O nome, a identidade visual e o reconhecimento internacional converteram-se em ativos chave que as grandes companhias protegem com enorme rigor. E se há um grupo que leva anos demonstrando uma vigilância especialmente férrea neste terreno, esse é Inditex.

Cartel de una tienda Zara / DAVID ZORRAKINO - EP
Cartaz de uma loja Zara / DAVID ZORRAKINO - EP

A multinacional galega fundada por Amancio Ortega tem voltado a ganhar uma nova batalha legal relacionada com a defesa de suas ensinas. O Escritório de Propriedade Intelectual da União Européia (EUIPO) tem respaldado recentemente a oposição apresentada pelo gigante têxtil contra o registro de "Zarla", uma assinatura albaceteña vinculada a produtos de cosmética, limpeza e artigos para o lar.

A resolução, emitida o passado 15 de abril, volta a pôr sobre a mesa a estratégia de protecção que Inditex mantém desde faz anos para evitar possíveis associações com algumas de suas marcas mais reconhecidas, especialmente Zara e Bershka.

Inditex reforça sua estratégia para blindar Zara em frente a marcas similares

O escritório europeu recorda em sua resolução que existe risco de confusão quando o consumidor pode pensar que determinados produtos pertencem à mesma empresa ou a companhias vinculadas economicamente. No caso de Zarla, a EUIPO considera que parte dos artigos comercializados por esta assinatura apresentam coincidências ou um alto grau de similitud com categorias registadas previamente por Zara. Entre eles aparecem produtos relacionados com cosmética, azeites essenciais, artigos de tocador ou produtos aromáticos.

Logo de una tienda de Zara / PEXELS
Logo de uma loja de Zara / PEXELS

Ademais, o organismo entende que se trata de artigos dirigidos ao consumidor geral, um público que mantém um nível médio de atenção durante o processo de compra. Esse detalhe resulta especialmente importante neste tipo de litigios, já que aumenta a possibilidade de associação quando dois nomes compartilham rasgos visuais ou fonéticos.

A EUIPO aprecia risco de confusão: o parecido entre Zara e Zarla

Um dos pontos centrais da análise foi a similitud entre ambos nomes. Segundo a resolução, os consumidores costumam fixar-se especialmente no início das palavras ao identificar uma marca. Neste caso, Zara e Zarla compartilham a sequência "Zara", que coincide por completo com a ensina de Inditex e constitui a maior parte do nome impugnado. A EUIPO considera que, ainda que existam pequenas diferenças gráficas, o parecido visual entre ambos signos resulta relevante.

La presidenta de Inditex, Marta Ortega, una de las personas más ricas de España / EUROPA PRESS
A presidenta de Inditex, Marta Ortega, uma das pessoas mais ricas de Espanha / EUROPA PRESS

A nível fonético, a similitud acerca-se inclusive a um grau médio, enquanto desde o ponto de vista conceptual não existe uma diferenciação clara, já que nenhum dos termos tem um significado concreto para o consumidor. A resolução também recorda um princípio habitual neste tipo de conflitos: a chamada "lembrança imperfecto". Isto é, o facto de que os consumidores rara vez comparam duas marcas de maneira simultânea e costumam apoiar numa percepção geral ou em lembranças parciais.

Uma política de protecção a cada vez mais firme

O caso de Zarla não é isolado. Faz parte da política de protecção de marca que Inditex leva aplicando desde faz anos e que se intensificou à medida que seus ensinas se consolidavam internacionalmente.

A companhia tem protagonizado diferentes acções legais contra nomes que considera demasiado próximos a suas marcas comerciais. Um dos casos mais conhecidos foi o de "Zara Dental", uma clínica odontológica de Terrassa que terminou condenada a retirar a denominação e pagar uma indemnização de 60.000 euros depois de um longo processo judicial.

La presidenta de Inditex (propietaria de Zara), Marta Ortega, en la Junta General de Accionistas de la compañía / INDITEX
A presidenta de Inditex (proprietária de Zara), Marta Ortega, na Junta Geral de Accionistas da companhia / INDITEX

Também têm existido disputas relacionadas com nomes como "Ailof Zahara" ou "BSK Sports Adventure", este último por seu possível parecido com Bershka. Precisamente, Inditex também apresentou uma reclamação ante a EUIPO contra a marca "BSK Sports Adventures", registada por uma empresa rumana. O grupo defendia novamente que existia risco de associação com Bershka, especialmente pelo uso das siglas "BSK", historicamente unidas à identidade visual da assinatura juvenil.

Una tienda de Bershka / INDITEX
Uma loja de Bershka / INDITEX

O valor de um nome na indústria da moda

No sector fashion, proteger uma marca significa proteger anos de investimento em imagem, campanhas e posicionamento global. Assinaturas como Zara ou Bershka não só vendem roupa: vendem reconhecimento imediato e uma identidade perfeitamente identificável. Por isso, as grandes companhias têm endurecido progressivamente suas políticas de vigilância registral. O objectivo é evitar que outras empresas possam se beneficiar indirectamente da notoriedad acumulada por marcas internacionais.

Este fenómeno não afecta unicamente a Inditex. Outras multinacionais também têm protagonizado conflitos similares, especialmente em sectores como a moda, o desporto ou a cosmética.

O precedente de Nike e os perfumes

Um dos exemplos mais curiosos em Espanha é o da marca nike Cosmetics, vinculada historicamente ao mundo da perfumaria. Ainda que hoje o nome Nike associa-se automaticamente ao gigante desportivo Nike, a assinatura espanhola dedicada a perfumes e jabones existia previamente desde 1929 e tinha registados seus direitos desde décadas dantes de que à assinatura desportiva mundialmente conhecida desde 1964 surgisse em Oregón, Estados Unidos.

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Publicidade da colónia 'Nike'/NIKECOSMETICS.COM

A batalha legal começou quando a companhia espanhola lançou uma linha de colónias baixo o nome "Nike Sport". A multinacional estadounidense considerou que podia existir confusão e levou o assunto aos tribunais. Finalmente, a justiça permitiu à empresa espanhola seguir comercializando perfumes com o nome Nike, ainda que sem utilizar a palavra "Sport".

Uma blindagem habitual entre as grandes assinaturas

O caso de Zarla volta a demonstrar até que ponto as grandes marcas consideram prioritário proteger sua identidade comercial. Num mercado saturado de nomes e novas assinaturas, qualquer parecido pode converter-se em motivo de disputa legal.

E grupos como Inditex têm deixado claro que seguirão actuando com rapidez ante qualquer possível risco de associação com suas ensinas mais reconhecidas.