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Bustinduy enterra a investigação sobre as comissões da OCU e dispara suas subvenções

A Organização de Consumidores e Utentes leva mais de uma década cobrando por captar clientes para as empresas que promove pese a que a lei proíbe a estas entidades realizar publicidade comercial e as obriga a ser independentes dos operadores

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Para perto de uma dezena de energéticas, um grupo de telecomunicações, uma empresa de alarmes, uma companhia de seguros, uma corrente de imobiliárias, um intermediário financeiro, uma academia de inglês, uma empresa que se dedica a substituir bañeras por placas de ducha… Desde faz mais de uma década, a Organização de Consumidores e Utentes (OCU) vem cobrando comissões de uma larguísima pronta de empresas a mudança de lhes captar clientes mediante campanhas publicitárias de enorme repercussão.

Trata-se de práticas sobre as que o Ministério de Consumo de Alberto Garzón abriu faz três anos uma investigação que seu sucessor no cargo, Pablo Bustinduy, tem decidido enterrar sem dar explicações ao mesmo tempo em que tem disparado suas subvenções, que tem incrementado em até um 34%.

Denúncia de FACUA

A investigação da que nada se sabe foi aberta como consequência das denúncias de FACUA-Consumidores em Acção, a outra grande associação de utentes. Denúncias que tem reiterado em até sete ocasiões no último ano sem que o ministério aceda a dar nenhum tipo de resposta.

FACUA argumenta que as práticas da OCU vulneram a proibição de realizar publicidade comercial que têm as associações de consumidores e seu dever de independência em frente aos operadores do mercado. Por sua vez, a Organização de Consumidores e Utentes assegura que o que faz não incumpre a legislação.

Comissões de iAhorro

As campanhas publicitárias da OCU são desenvolvidas através de suas comparadores de preços, páginas sites, inserções em suas revistas e correios eletrónicos enviados a seus sócios e aos subscritores gratuitos de seus newsletters. Campanhas com as que, em ocasiões, a organização tem assegurado que tinha conseguido descontos, ofertas especiais ou serviços gratuitos de determinadas empresas que em realidade estavam ao alcance de qualquer consumidor.

Uma das empresas das que a OCU é comisionista é o intermediário financeiro iAhorro. A fórmula de captación que utiliza é o comparador de ofertas hipotecarias da organização. Nos resultados das buscas aparece um enlace para contratar hipoteca-a "com garantias". Garantias que consistem em fazer da mão do citado intermediário e que segundo a Organização de Consumidores e Utentes oferece uma série de "vantagens" que tem negociado com ele.

Mas em realidade, iAhorro oferece a quem vai da mão da OCU o mesmo serviço gratuito que a qualquer outro utente. O único valor acrescentado é que, se finalmente assina a hipoteca, recebe como presenteio uma assinatura a uma de suas publicações. Assinatura que iAhorro paga à OCU dentro de 0,2% do valor da hipoteca que têm pactuado como comissão por lhe levar o cliente.

Práticas enganosas

Não é o único caso no que FACUA tem denunciado que, além de cobrar comissões pela cada cliente captado, a OCU incorre em práticas susceptíveis de enganar aos consumidores para o conseguir.
Em 2022, a OCU apresentou uma oferta de Repsol ganhadora de sua compra coletiva de energia como a "Melhor tarifa do mercado" e "a mais competitiva", pese a que a TUR de gás (a tarifa regulada pelo Governo) era então mais barata. Ademais, os preços anunciados não incluíam os impostos nem advertiam de que tinha que os somar, na contramão do que estabelece a legislação.

Também em seu comparador de seguros de saúde assegurava que as pólizas eram comparadas por experientes da OCU, quando a ferramenta e o assessoramento procediam de uma correduría de seguros.
A OCU dizia comparar as "principais companhias do mercado" pese a deixar fosse várias seguradoras relevantes. Ademais, o telefone facilitado ao consumidor começava com um "Graças por contactar com OCU", ainda que quem atendia-o e podia vender-lhe a póliza era pessoal da correduría.

Opacidade

A OCU mantém em segredo quanto dinheiro tem percebido da cada uma das empresas com as que tem assinados convênios que implicam a cobrança de comissões por lhes captar clientes. O único que tem trascendido publicamente é quanto lhe pagam essas empresas pela cada cliente captado. E não porque a OCU publique o conteúdo de seus convênios. Tem sido FACUA a que o fez depois de aceder a eles: conseguiu-o como consequência de uma reclamação ante o Conselho de Transparência ante a que Consumo —que inicialmente se negava ao fazer— lhos envia a cada vez que a associação efectua uma solicitação.
iAhorro paga o 0,2% do custo hipotecado quando o cliente captado termina assinando a operação. Repsol lembrou pagar 15 euros mais IVA pela cada contrato de seu compra coletiva. ADT, 100 euros mais IVA pela cada alarme instalado procedente de OCU. CCC, o 20% de determinados custos abonados por quem contratassem seus cursos.

Securibath lembrou abonar 75 euros mais IVA pela cada serviço contratado por um sócio de OCU e 100 euros mais IVA pelos procedentes dos denominados "amigos" da OCU —consumidores que se subscrevem a seus newsletters—. Vaughan Systems, o 10% do aprecio final de determinados cursos de inglês contratados por sócios. E Robinsun Energy, o 4% de determinadas compras de kits fotovoltaicos.

Há mais. Cáser financiava à OCU com 80 euros uma assinatura vinculada a determinados clientes de seu plano de pensões e o Grupo MásMóvil chegou a abonar 6,50 euros pela cada utente não sócio que utilizasse o comparador de tarifas de telecomunicações do site da OCU.

Independência questionável

Quanto somam todos estes rendimentos é um mistério. OCU não faz público quanto recebe da cada empresa nem o montante global das comissões e contribuições empresariais. Suas contas também não permitem conhecê-lo.

E isto contrasta com o que a própria organização assegurava publicamente faz anos. OCU chegou a afirmar que não aceitava "dinheiro de ninguém" salvo de seus sócios e utilizava precisamente essa suposta ausência de financiamento externo para se apresentar como uma organização "absolutamente independente".

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