A crise de moradia se agudiza: sobem as execuções hipotecarias e Andaluzia lidera o ranking

No primeiro trimestre, o número de execuções hipotecarias sobre moradias habituais subiu a 3.328, o dado mais alto desde 2022

Efectivos de la policía durante la ejecución de un desahucio en Carabanchel   EUROPA PRESS   MATIAS
Efectivos de la policía durante la ejecución de un desahucio en Carabanchel EUROPA PRESS MATIAS

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A crise de moradia se agudiza, pressiona e asfixia. Convertida já no principal problema de Espanha, seu impacto tem marcado um recorde histórico no Barómetro do CIS de maio, onde aparece mencionada em quase a metade das encuestas. Assim mesmo, a moradia encabeça também a lista de problemas que afectam mais pessoalmente aos espanhóis, com sua maior cota até a data, um 30,7%.

Simultaneamente que os preços não deixam de subir, o equilíbrio se resquebraja. Tanto é de modo que o número de execuções hipotecarias sobre moradias habituais —isto é, o início do processo judicial por impago que pode derivar num desahucio— se situou em 3.328 no primeiro trimestre do ano. A cifra é um 3,8% inferior à do trimestre anterior, mas um 38,1% superior à do mesmo trimestre de 2025.

Recorde desde 2022

Trata-se, ademais, da cifra mais alta de execuções hipotecarias sobre moradias habituais para um primeiro trimestre desde o ano 2022, segundo os dados publicados nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

La ministra de Vivienda y Agenda Urbana, Isabel Rodríguez (1)
A ministra de Moradia e Agenda Urbana, Isabel Rodríguez / FRANCISCO J. OLMO

Neste sentido, faz uns dias a Plataforma de Afectados por hipoteca-a (PAH) denunciou que o risco de desahucio implica uma "angústia quotidiana que desgasta, que rompe vínculos e paralisa qualquer tentativa de construir um projecto de vida digno". E, no entanto, lamentava a entidade, "este sofrimento profundo está a viver-se em silêncio, invisibilizado, fora do foco político e mediático, como se não urgiera, como se não importasse".

Não todas as execuções de hipoteca terminam com o desahucio

O objectivo principal desta estatística do INE é oferecer trimestralmente o número de certificações de execuções hipotecarias iniciadas e inscritas nos Registros da Propriedade durante o trimestre de referência. Com tudo, o INE tem recordado que não todas as execuções de hipoteca terminam com o lançamento (desahucio) de seus proprietários.

No primeiro trimestre iniciaram-se 6.602 execuções hipotecarias, um menos 4,7% em taxa trimestral mas um mais 20,1% na comparativa anual. Delas, 6.275 afectaram a fincas urbanas (onde se incluem as moradias) e 327 a fincas rústicas (-15,1% trimestral e +1,9% interanual).

Un grupo de personas durante el intento de desahucio / EUROPA PRESS
Um grupo de pessoas durante a tentativa de desahucio / EUROPA PRESS

Subida das execuções sobre moradias novas

Dentro das fincas urbanas, 4.607 execuções corresponderam a moradias, um 1,1% menos que no trimestre anterior, mas um 34,5% mais que no primeiro trimestre de 2025.

Do conjunto de execuções hipotecarias sobre moradias registadas no primeiro trimestre, um total de 4.122, o 89,5%, afectaram a moradias usadas, com um avanço anual de 29,6% (-5,4% em taxa trimestral). Por sua vez, as execuções sobre moradias novas dispararam-se um 98% anual e um 62,8% trimestral, até somar 485.

Andaluzia lidera o ranking

Por comunidades autónomas, Andaluzia liderou as execuções sobre moradias no ano passado, com um total de 1.226, seguida de Cataluña (906) e a Comunidade Valenciana (657). No lado oposto, com menos execuções hipotecarias sobre moradias situaram-se A Rioja (24) e Navarra e Cantabria, ambas com 29.

Manifestación en Barcelona / ALBERTO PAREDES
Manifestação em Barcelona / ALBERTO PAREDES

Estes dados chegam num contexto complexo. Entre 2022 e 2023, o Banco Central Europeu subiu com força as taxas de juro para frear a inflação, de modo que o Euríbor (o índice que marca o preço da maioria de hipotecas variáveis) se disparou e encareció as quotas mensais em centos de euros. O dado atual sugere que as famílias aguentaram o golpe como puderam mas, depois de muitos meses de asfixia, terminaram por não poder pagar.