Espanha sofre um problema crescente para cobrir determinados postos de trabalho. Camareros, cocineros, pedreiros, caminhoneiros, enfermeiros, cuidadores ou médicos de família figuram entre as profissões onde o Serviço Público de Emprego Estatal (Sepe) detecta vagas persistentes, até o ponto de que praticamente dois em cada dez resultam impossíveis de cobrir.
O fenómeno não é pontual. O Observatório das Ocupações do Sepe assinala que o número de vagas tem ido aumentando de forma sustentada nos últimos anos. Das 56.000 registadas em 2014 passou-se a para perto de 150.000 em 2024, enquanto ao fechamento do terceiro trimestre de 2025 já superavam-se as 152.000, segundo os últimos dados da encuesta trimestral de custo trabalhista publicada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Postos para os que faltam candidatos
O catálogo de ocupações de difícil cobertura do último trimestre de 2025 reflete a amplitude do problema. Inclui perfis vinculados ao âmbito marítimo, como marinheiros, pilotos de navio mercante, oficiais radioelectrónicos, mecânicos, maquinistas, engrasadores de máquinas, contramaestres, mozos de coberta, caldereteros e frigoristas navais, além de cocineros, camareros e mayordomos de navio.
Também figuram diferentes especialidades da construção e a edificación, como carpinteros metálicos, instaladores electricistas ou gruístas, junto a ocupações mais específicas como treinadores e desportistas profissionais.
Mais vagas no sector público
São cifras que não chegam ao 1% da oferta trabalhista, segundo o Sepe, que assinala que uma terceira parte das vagas pertencem ao sector público e põe como exemplo que o 80% de postos sem cobrir no âmbito dos cuidados deveria o prover a Administração Pública.
Do total de vagas, só um 2,1% se cobre sem dificuldade, enquanto o 79,3% se considera de difícil cobertura e o 18,6% de impossível cobertura.
Os sectores mais castigados
O Sepe achaca a situação ao envejecimiento da população e à rejeição das condições trabalhistas, principalmente na construção e a hotelaria, mas também ao desajuste entre o que as empresas demandam e a formação dos trabalhadores nas ocupações de cualificación média e alta.
Hotelaria, construção, actividades sanitárias e transporte são os sectores com maior desajuste. Também destaca o agrícola, que reclama a necessidade de pessoas imigrantes, o que contrasta -segundo o Sepe- com o facto de que muitos espanhóis se vão à vendimia francesa, onde encontram melhores condições de trabalho.