O brilho dos cabeças de cartaz já não basta para eclipsar os problemas. Por trás do magnetismo e o bom rollo que projectam muitos festivais de música se esconde um modelo de negócio problemático que erosiona os direitos e os bolsos dos consumidores: proibições de acesso com comida do exterior e cuestionables taxas de 'reentrada' que têm sido discutidas nos tribunais.
Agora, a Sala do Contencioso-Administrativo do Tribunal Superior de Justiça de Madri (TSJM) tem confirmado a multa de 96.000 euros que a Comunidade de Madri impôs à organizadora do festival Brava Madri, Madri Selvagem AIE, depois da denúncia de Facua-Consumidores em Acção por diferentes cláusulas abusivas nas que incorreu em sua edição de 2023. Entre elas figuram a imposição de pulseras cashless como único método de pagamento e a cobrança pela devolução do dinheiro não consumido.
Sanção de 93.000 euros por duas infracções administrativas
Em outubro de 2025, a Subdirección Geral de Inspecção de Consumo e Controle do Mercado da Consejería de Economia, Fazenda e Emprego da CAM comunicou a Facua que tinha imposto uma sanção de 96.000 euros pela comissão destas duas infracções administrativas graves.
Posteriormente, a organizadora do evento interpôs um recurso contencioso-administrativo ante a decisão da administração madrilena. A Sala do Contencioso-Administrativo do TSJM, no entanto, tem determinado a caducidad do recurso interposto por Madri Selvagem dado que "não apresentou a demanda no prazo legalmente concedido". Isto é que, a entidade, além de cometer irregularidades, se dormiu nos laureles e agora deve assumir o pagamento.
Irregularidades sucessivas
Em 2024, Brava Madri reincidió: impôs as pulseras cashless e ficou com parte do dinheiro sobrante, entre outras irregularidades. Em 2025, as coisas não foram melhores: a promotora recebeu denúncias por negar-se a devolver o dinheiro das entradas àqueles assistentes que o solicitaram após que o evento tivesse que modificar seu cartaz após que vários artistas anunciassem que finalmente não participariam no festival, tal e como publicou este meio.
Ademais, Facua tem conseguido uma sentença que tem confirmado a abusividad e declarado nulas as cláusulas que a mesma promotora impôs em Madri Selvagem, outro dos festivais que organiza.