Casamentos 'pet friendly': que implica (e quanto custa) incluir a teu cão no casamento
O crescente protagonismo das mascotas nos casamentos tem impulsionado um sector especializado em seu treinamento e cuidado para que estejam preparados para o grande dia
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Um cão avança para o altar com os anéis dos noivos pendurados ao pescoço. Os convidados sorriem enquanto gravam-no com seu móvel. A cena, que faz uns anos parecia excêntrica, hoje é viral em redes sociais e se repete em fincas, jardins e inclusive igrejas de toda Espanha.
O que começou como uma ideia romântica -o cão acompanhando aos noivos até o altar- é actualmente um serviço profesionalizado. Por trás da cada entrada triunfal há horas de trabalho, avaliação do animal e coordenação com o espaço da cerimónia. Cristina Lima, fundadora de Yes, We Pet, foi uma das primeiras em profesionalizar este serviço quando, em 2016, quase ninguém o tomava em sério.
De ocorrência romântica a fenómeno social
Quando Lima começou, a reacção habitual era o riso. "Quando chamava às fincas se riam de mim. 'Como que trazer um cão a um casamento?', não tinha esta mentalidade que hoje existe", recorda. Durante anos foi uma ideia que defendia quase em solitário, combinando com outros trabalhos e explicando uma e outra vez que não se tratava de um capricho.
A mudança de mentalidade tem sido profundo. "Em Espanha actualmente há mais mascotas que meninos", assinala. Para ela, o dado não é menor: "Estes seres tão incríveis e tão nobres estão a ocupar um espaço na vida da sociedade, quando existe mais solidão que nunca". O que dantes gerava pudor agora se afirma com naturalidad. "Dantes os noivos sentiam-se raros ao dizer 'quero convidar a meu cão a meu casamento'. Hoje é mais 'meu cão vai estar e dá-me igual o que pensem'".
Gestão emocional e metodologia
O crescimento da demanda tem sido exponencial. Yes, We Pet tem participado em mais de 300 casamentos e acerca-se às 400. "Não te imaginas", responde Lima quando se lhe pergunta pela evolução do negócio. Inclusive as igrejas, tradicionalmente mais rígidas, começam a aceitar a presença do animal.

Mas a chave não está em levar ao cão e já está. "O mais difícil é fazer entender às pessoas que não se trata de um passeio más", sublinha. O animal enfrenta-se a um meio novo, com música, convidados, câmaras e nervos. "No dia do casamento, um cão está exposto a estímulos tão altos que podem aparecer diferentes condutas. Nossa prioridade é seu bem-estar". Por isso têm desenvolvido uma metodologia própria e uma formação de duas a três meses para sua equipa. "Quando os noivos pedem algo que vemos que não é compatível com a personalidade do animal, o dizemos. Não se trata de fazer do cão um macaco de feira. Não todo o vale por dinheiro".
Conhecer ao cão dantes do 'sim, quero'
O processo começa muito dantes da cerimónia. Primeiro, uma videollamada com os noivos. Depois, questionários e uma visita ao domicílio. Há que conhecer ao animal em seu meio. "Alguns têm problemas de conduta, outros sofrem ansiedade por separação, outros têm sido maltratados e temem os ruídos… temos que lidiar com diferentes personalidades", explica.
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De facto, o apego é um dos grandes reptos. "No dia do casamento o cão não vai estar colado a seus humanos e essa ansiedade pode fazer que ladre ou atire da correia". A chave é antecipar-se. "Determinamos que pautas vamos aplicar tanto aos humanos como a seus cães". Porque, insiste Lima, "o cão não entende que é um casamento; para ele é outro dia mais, mas com muitíssimos estímulos". E acrescenta: "Por exemplo, é a gente quem vem a cumprimentar ao cão para que todo seja muito controlado e previsível e nós chegamos com o animal ao lugar muitas horas dantes para que se habitue".
Segurança em frente à improvisación
Em meios abertos, qualquer ruído ou movimento inesperado pode desencadear uma reacção. "Já nos contaram acidentes que têm passado após que os noivos improvisassem com seus cães no dia do casamento, o qual não é prudente", explica Lima. Por isso a norma é clara: "Dentro de nossa política, nós não soltamos aos cães. Sempre estão atados conosco", afirma.
"Se os noivos querem que o cão entre solto com os anéis, há duas formas: com treinamento prévio, trabalhando durante semanas essa cena. Ou sem treinamento, em casos muito concretos e com pessoal especializado. Trabalhamos com educadores caninos ou exveterinarios. Por trás da foto bonita no altar há muito trabalho. Não tem sido um passeio mais", recalca.
Quanto custa incluir ao cão no casamento?
O custo varia segundo a temporada, a duração do serviço e a deslocação. O bico concentra-se em verão, especialmente em setembro e outubro. "Nos desbordamos de petições", admite Lima.
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Como orientação, o serviço se move entre 290 e 500 euros. Normalmente, costumam encarregar-se da recolhida, o translado, a habituación prévia ao meio, a coordenação com a finca ou a igreja e todo o processo prévio ao casamento. "É um microevento que criámos dentro do casamento só para a participação do cão", explica. Não em vão, se definem como uns dogs wedding planner, garantindo que o animal participe de maneira segura num dos dias mais importantes do casal.

